Mulheres da ADUNEB vão às ruas em defesa da vida sem medo!

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“É que as fêmeas da espécie querem espaço para exercer
O vasto potencial que nos foi tomado de ser
Respeite esse corpo que dele sai gente
Que sangra sem morrer
Respeite esse corpo, ele não lhe pertence
Feminino corpo vai prevalecer”

 

O trecho acima da música Feminelza, composição de Pitty gravada por Elza Soares e lançada em 2025 no álbum póstumo "No Tempo da Intolerância", pode ser usado para descrever o espírito de luta e resistência das docentes que integraram a participação da ADUNEB na mobilização do 8M que ocorreu neste domingo (08/03), em Salvador. Professoras de diversos campi uniram suas vozes pelas ruas em uma mensagem objetiva: "Parem de nos matar!".

No Brasil, em 2025, 1.568 mulheres foram mortas por razões de gênero. Aproximadamente quatro mulheres foram assassinadas por dia. O ano passado registrou o maior número de casos desde a tipificação da Lei do Feminicídio em 2015. Cerca de 13% dessas mulheres assassinadas já possuíam medida protetiva de urgência. Foram registrados 4.755 casos de tentativas de feminicídio. Aproximadamente 12 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência a cada 24 horas. Esses dados alarmantes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) demonstram que o país atingiu um recorde histórico pelo qual não há de orgulhar-se: o recorde de feminicídios em 2025.

Os dados mostram a Bahia nessa mesma direção. Conforme índices da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), o estado contabilizou 103 ocorrências de feminicídio ao longo de 2025. Número que faz a com que a chamada "Capital da Alegria" ocupe o quarto lugar entre os estados brasileiros com o maior número de assassinato de mulheres.

Nenhuma a menos!

O Painel de Estatísticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que registra os indicadores do Judiciário, divulgou que só em janeiro de 2026 ocorreram 947 novos casos de feminicídio no Brasil, representando um crescimento de 3,49% em relação ao mesmo período do ano passado. “Para o nosso sindicato, que tem história em defesa das mulheres, participar desse momento coletivo de manifestação do 8M significa fortalecer a luta em nossa base e demonstrar nossa disposição para o enfrentamento ao desrespeito e à violência crescente contra as mulheres”, destacou Kátia Barbosa, Coordenadora de Comunicação da ADUNEB.

Nora de Cássia Gomes de Oliveira, professora da UNEB campus XIII (Itaberaba), que participou da mobilização, também enfatizou a importância da presença da seção sindical na marcha, ainda mais em um momento no qual há um crescimento acelerado das estatísticas de feminicídio. “Nosso movimento aqui demonstra o comprometimento das mulheres com essa luta, mas também demonstra a gravidade do que nós estamos vivendo com o ataque às nossas vidas. Nós mulheres corremos riscos e estamos combinando de nos defendermos e de nos mantermos vivas”, enfatizou.

Maria da Anunciação Conceição Silva, professora do Campu II (Alagoinhas) e integrante do Conselho Fiscal da ADUNEB, destaca a importância de ocupar as ruas e lutar para que não haja “nenhuma a menos”. Segundo a professora, o 8M é um dia de luta por aquelas que se foram, vítimas de feminicídio, por aquelas que sobreviveram às tentativas de feminicídio e por todas as mulheres que vivem com medo de integrar as terríveis estatísticas de feminicídio e de violência de gênero. “Que possamos educar nossos homens, sejam eles filhos, irmãos, sobrinhos, ou amigos, a serem respeitosos com as mulheres. Que eles aprendam que podemos dizer não, em qualquer situação e que esse não precisa ser respeitado. Queremos não temer por nossas vidas”, enfatizou Anunciação.

As estatísticas são alarmantes. Alarmante e lamentável também é a forma como o patriarcado desumaniza as mulheres. Nesse sentido a manifestação do 8M foi luta e memória, fazendo recordar que cada um dos números que compuseram e compõem as estatísticas de feminicídio possui um nome e uma história interrompida pela misoginia, pelo machismo, pelo ódio e pelo sexismo que funcionam como raiz estrutural da desvalorização e desumanização das mulheres. “Não vamos nos calar enquanto somos ameaçadas, atacadas e mortas. Estamos aqui, juntas e fortes, para dizermos não à misoginia e ao machismo deletério e assassino”, finalizou Kátia Barbosa.

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