Aumento abusivo: docentes das universidades estaduais protestam em frente à sede do Planserv

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 O ato público organizado pelo Fórum das ADs — composto pelas seções sindicais ADUNEB, ADUFS, ADUSB e ADUSC — realizado nesta quinta-feira (26), teve como tônica a indignação e a disposição de professoras e professores para a luta contra o aumento abusivo do Planserv. O protesto ocorreu em frente à sede administrativa do plano, no bairro de Brotas, em Salvador. 

A manifestação teve o intuito de pressionar o Governo do Estado a rever a nova política de cobrança do serviço de assistência à saúde do funcionalismo público baiano. Além disso, os docentes puderam dialogar com quem passava pelo local e manifestava apoio. O protesto também contou com a presença de representantes de vários outros sindicatos, a exemplo do SINDAE, do ASBAC e, ainda, representações de movimentos sociais. 

Abusivo

Os novos valores do Planserv estão em vigor desde janeiro deste ano. Sem ampla discussão com as entidades representativas de classe, foi imposto ao conjunto do funcionalismo público o aumento das mensalidades e um percentual único para todo o funcionalismo estadual. A adoção da nova alíquota sobre o salário bruto é de 5,5% em 2026 e 6% em 2027. Cônjuges pagam 50% do valor contribuído pelo titular e outros dependentes pagam 22%, sendo que o valor mínimo de contribuição foi fixado em R$ 120,00. Há ainda o caso de agregados/as maiores de 24 anos, que pagam o mesmo valor do/a titular. O aumento radical fez com que muitos servidores tivessem um reajuste de 100% ou mais, fato que tem causado grande impacto no orçamento familiar de milhares de trabalhadores. 

Baixa qualidade

Além do aumento abusivo, há anos servidores públicos reclamam do contínuo desmonte do Planserv, com redução dos postos de atendimento, o crescente descredenciamento de hospitais e cotas mensais para a realização de exames, entre outros problemas. Tais questões se intensificaram a partir de 2015, momento em que o governo começou a reduzir o aporte financeiro ao serviço de assistência à saúde. Nos três anos seguintes, a contribuição estatal caiu de 5% para 2%. 

 ADUNEB presente no protesto contra o aumento abusivo e por mais qualidade no Planserv

Interior paga a conta 

O impacto da ausência de investimentos e a consequente redução da qualidade são sentidos principalmente no interior do estado, o que afeta severamente a categoria docente da UNEB, devido à multicampia da universidade, com seus 32 departamentos e 27 campi espalhados por toda a Bahia. 

O professor do Campus de Valença, do curso de Engenharia de Aquicultura em Alternância, Ybyra Ybyraçú Anté Kren, indígena do povo Guerém, esteve presente no protesto. “Na nossa cidade, o Planserv não oferece os serviços de maneira integral. Temos muitas limitações quanto às clínicas conveniadas. Como não há disponibilidade nos municípios do interior, a gente tem que tirar recursos do próprio bolso para se deslocar até Salvador para conseguir atendimento ou entrar na fila de espera para um procedimento”. 

Em Bom Jesus da Lapa, a situação é ainda mais grave. Docente do Campus XVII, o professor Fernando Carvalho classifica o cenário como “caótico”. Ele afirma que os segurados da assistência à saúde precisam se deslocar, necessariamente, às cidades de Vitória da Conquista ou Salvador em busca de atendimento. “A falta de estabelecimentos conveniados faz com que os servidores de Lapa assumam despesas de viagem e locomoção para buscarem atendimento fora de seus domicílios. Além disso, para viajar, ainda precisamos nos ausentar do trabalho”. 

Não em nosso nome

A coordenadora de Comunicação da ADUNEB, Kátia Barbosa, ressaltou que nenhuma das quatro seções sindicais pactuou com o aumento abusivo. “Participamos de algumas rodadas de negociação e em nenhuma delas fomos favoráveis a esse ataque aos salários dos trabalhadores”.

 A professora explica que, em defesa da categoria, a ADUNEB atua em duas frentes: a política, com protestos e mobilizações para pressionar o governo; e a jurídica. “Orientamos nossos professores que encaminhem seus contracheques de dezembro do ano passado e de janeiro deste ano para que possamos demonstrar o impacto nos salários. Enviem para o e-mail *aumentoplanserv@aduneb.com.br*, assim podemos reunir os documentos que colaborarão com a ação coletiva a ser desencadeada pela nossa assessoria jurídica”, finalizou Kátia Barbosa.

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