Nota em apoio ao povo Pataxó e contra a violência de fazendeiros e posseiros no extremo sul da Bahia



A Coordenação da ADUNEB vem a público para, mais uma vez, manifestar veemente repúdio à violência de fazendeiros e posseiros da região de Comexatibá, no extremo sul da Bahia, contra as comunidades indígenas locais. Ao mesmo tempo, oferece solidariedade ao povo Pataxó da região, que continua a sofrer opressões, ataques e tentativas de assassinato.
Segundo Carta do Coletivo de Lideranças da TI Comexatibá, na terça-feira (24), o grupo recebeu relatos de violências sofridas pela comunidade em diferentes pontos da TI Comexatibá e de áreas retomadas. Ocorreu um ataque à retomada na Fazenda Bela Vista e ameaças à retomada na Fazenda Barra do Cahy. Para a ação, foram utilizados motos, carros e até helicóptero. Os relatos mencionam ainda o sequestro de uma família indígena e de duas turistas que teriam sido feridas, na área da praia, por balas perdidas vindas da milícia armada.
Ainda de acordo com o coletivo de lideranças indígenas, após o ferimento das turistas, grupos organizados de extrema-direita passaram a utilizar massivamente as redes sociais na tentativa de inverter os fatos, culpabilizar e incriminar os indígenas pelos disparos de arma de fogo, o que configura fake news.
A carta de denúncia afirma que a violência na região é oriunda de “... uma escalada de ações de grupos armados e organizados por interesses privados — sobretudo fazendeiros e suas redes de comunicação — que buscam criminalizar nosso movimento e confundir a opinião pública”.
A ADUNEB clama por paz, pela vida e pelos direitos dos povos originários. A Seção Sindical relembra que, em novembro do ano passado, a Portaria nº 1.073 do Governo Federal declarou a posse permanente e reconheceu o direito indígena ao território Comexatibá. Porém, ainda falta a atuação célere na demarcação do território e a fundamental retirada dos não indígenas (fazendeiros, garimpeiros, posseiros, grileiros, pistoleiros etc.) e suas estruturas ilegais da região.
Inúmeros são os ataques, as tentativas de assassinatos e as vidas ceifadas de indígenas no extremo sul denunciados pela ADUNEB. Entre tantas ocorrências, citamos: os 40 homens fortemente armados que invadiram a Aldeia Kaí (01/10/25); o grupo armado e encapuzado que invadiu e ameaçou de morte a comunidade da Aldeia Tibá (28/10/24); a emboscada com tentativa de homicídio no Território Barra Velha (20/03/24); o assassinato do Cacique Lucas Kariri-Sapuyá, próximo à Aldeia Caramuru Paraguaçu (22/12/23); e os homicídios dos jovens Pataxós Samuel do Amor Divino e Nauí Brito, na região do povoado de Montinho / BR-101 (17/01/23).
O fim da violência e o respeito à terra e à vida dos povos originários estão diretamente relacionados à atuação incisiva do Estado Brasileiro na demarcação e homologação das terras indígenas, visando à segurança, à proteção cultural e ambiental. A ADUNEB soma-se às demais entidades que reivindicam e lutam pela proteção dos povos originários e clama por justiça!
Coordenação ADUNEB


