A VERDADE E O DIÁLOGO NA DIVERSIDADE: QUESTÕES PARA O MOVIMENTO DOCENTE

A Coordenação Executiva da ADUNEB, em respeito às(os) colegas que elaboraram, subscreveram e apoiaram o documento intitulado Manifesto de Santo Antônio de Jesus, faz aqui algumas ponderações. A primeira delas refere-se à menção feita no Manifesto à expressão “democracia e fortalecimento das instituições”. Cumpre salientar que esta Coordenação entende que tal fortalecimento se faz, de forma ainda mais concreta e legítima, através do diálogo transparente, nas reuniões ampliadas, nas assembleias, nos encontros com representantes departamentais e demais fóruns criados com tal finalidade, que ampliam o espaço para o contraditório – uma das marcas das duas últimas gestões da ADUNEB.
A conjuntura política atual, com destaque para a tentativa de golpe de estado no Brasil, nos impõe maior cuidado na utilização das redes sociais, sobretudo porque o diálogo não é profícuo com esses instrumentos. Assim, para apresentar resposta à pergunta “Qual o nosso poder de negociação e de pressão junto ao Estado da Bahia, quando agonizamos com as perdas salariais que giram em torno de 50%?”, alertamos que o poder de pressão da categoria está estreitamente relacionado à nossa capacidade de trazer sempre mais docentes para as manifestações públicas e para os debates sobre os direitos trabalhistas que nos são resguardados, mostrando para o governo e para a sociedade a coesão da classe.
No entanto, se a estratégia de um determinado segmento da nossa base for, sem propor qualquer diálogo interno mais amplo, divulgar acusações infundadas, através de redes sociais, sendo essas acusações, dessa forma, socializadas com a sociedade e com o próprio governo, o poder de pressão da categoria só tende a diminuir. Nessa perspectiva, retornamos uma pergunta: a quem interessa diminuir esse poder de negociação da nossa categoria? Certamente, este não é o interesse de nossa base nem dessa Coordenação, que prima por atender as demandas do corpo docente da UNEB ao longo dessas duas gestões.
Consideramos descabidas e iníquas críticas sem consistência, sem o devido respaldo nos fatos. Em nosso entendimento, esse tipo de crítica só enfraquece as lutas de nossa categoria. É baseada nesse princípio que, para além dos espaços formais de diálogo, a Coordenação Executiva da ADUNEB atua sempre com respeito, delicadeza, ouvindo e encaminhado as sugestões das representações dos Departamentos e de demais filiadas(os), apoiadoras(es) ou não dessa gestão. A escuta sensível é parte do nosso método de gestão, que assume os enfrentamentos necessários sem agressões, uma vez que essa Coordenação se coloca contra toda forma de opressão e a favor do respeito a todas as pessoas, principalmente às(os) filiadas(os), que são, antes de tudo, colegas de trabalho e companheiras(os) de militância. Respeito e cuidado não é sinal de imobilismo ou de fraqueza, mas, sim, princípios de civilidade.
Feitas essas ponderações iniciais, a Coordenação Executiva assinala que considera positiva a mobilização no campus de Santo Antônio de Jesus e acolhe algumas questões esboçadas no documento, que se tornam relevantes no contexto das lutas que travaremos nos próximos anos, ao lado do Fórum das Associações Docentes (Fórum das ADs – FAD), e que são centradas na busca por salário digno, direitos, autonomia universitária e Democracia. Reconhecemos ser o FAD (formado pela ADUFS, ADUNEB, ADUSB e ADUSC) a representação das nossas lutas coletivas no enfrentamento ao Governo. E, nesse sentido, esse Fórum, que se reúne, pelo menos, uma vez por mês, realizou, no último ano, diversas ações com base na pauta de reivindicações, elaborada a partir de assembleias realizadas nas quatro UEBA. Uma vez que a responsabilidade é coletiva, não cabe atribuir os méritos ou deméritos a qualquer uma das ADs, separadamente, recurso que foi, indevidamente utilizado no referido Manifesto.
Por fim, para fazer justiça aos fatos, conhecidos mas não mencionados no Manifesto, é importante ressaltar alguns pontos:
