Protesto das Ueba - docentes e estudantes demonstram disposição para a luta mesmo debaixo de chuva

 Nem mesmo a chuva que caiu em Salvador, nesta quarta-feira (25) pela manhã, conseguiu barrar o protesto que docentes e estudantes das Universidades Estaduais Baianas (Ueba) fizeram no centro da cidade. No dia em que o mundo relembrou os 44 anos da Revolução dos Cravos, ocorrida em Portugal, a Praça da Piedade, histórico cenário de resistência que precedeu a Independência da Bahia, abrigou a manifestação contra o governo Rui Costa, que despreza a categoria docente e a educação pública superior. A quarta-feira também foi marcada pela paralisação das atividades acadêmicas na Uneb, Uesb e Uesc.

Apesar das condições desfavoráveis do clima, professores da Uneb marcaram presença e demonstraram disposição para a luta. Além do Campus de Salvador, docentes de vários campi participaram, a exemplo de Alagoinhas, Barreiras, Jacobina, Santo Antônio de Jesus, Euclides da Cunha, Conceição do Coité, entre outros. Setores do Movimento Estudantil somaram forças à manifestação. Representantes do Movimento Docente da Adufs, Adusb e Adusc também marcaram presença. Entre outros pontos, o protesto da comunidade acadêmica das Ueba foi contra a maior perda salarial dos últimos 20 anos; quase mil professores com direitos trabalhistas negados; e falta de estrutura e orçamento, com déficit de docentes. Leia aqui mais sobre os problemas que levaram a paralisação e ao ato público na Praça da Piedade.
 
Parte do grupo de docentes da ADUNEB que estiveram no protesto da Praça da Piedade
 
Durante a manifestação, quando a chuva amenizava, várias falas junto ao carro de som demonstravam a importância histórica das Ueba. Um patrimônio do povo baiano, que há mais de três décadas leva a oportunidade de formação, informação e desenvolvimento a todas as regiões do estado. Enquanto uma fanfarra animava o protesto, docentes dialogavam com quem passava pelo local, distribuindo panfletos e denunciando o desrespeito do governo, que nega os direitos trabalhistas a 957 professores. Só na Uneb são 269 promoções, 76 progressões e 146 mudanças de regime de trabalho barrados pelo Palácio de Ondina. Além de várias faixas, houve também ampla distribuição de bexigas e camisas com o tema da campanha de reivindicação 2018: “O governo da Bahia faz o maior arrocho salarial em 20 anos”. Poetas de rua convidados também puderam dar o recado, recitando poesias e letras de rap com temáticas voltados aos problemas sociais.
 
                                                                                                                                                         Foto: Ascom Fórum das ADs
Panfletagem docente próxima à manifestação para dialogar com a sociedade
 
Negociação ignorada
 
A pauta de reivindicações de 2018 da categoria docente foi protocolada, em 18 de dezembro do ano passado, junto à Governadoria e secretarias estaduais da Educação (SEC), da Administração (Saeb) e das Relações Institucionais (Serin). De maneira responsável, na tentativa de diálogo e de soluções para os problemas acumulados, as representações do Movimento Docente novamente protocolaram o documento com a solicitação da abertura das negociações, em 20 de março. No mesmo dia os professores também estiveram na Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Serviços Públicos, para requisitar uma audiência pública, afim de debater os desafios do ensino superior público no estado. Até o momento, o governador estadual e seus representantes ignoram os problemas da categoria docente e das Ueba.
 
 
 
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