Carta do Movimento Sem Teto da Bahia sobre o despejo das famílias do bairro de Tubarão, em Salvador

 Hoje, 15 de março de 2018, um dia após o assassinato de Marielle Franco, a violência contra os negros e trabalhadores desse país segue sua trama cotidiana perversa. Insensíveis a nossa dor, em meio ao Fórum Social Mundial, um imenso aparato da Polícia Militar do Estado da Bahia e da Guarda Municipal de Salvador foi mobilizado para atuar contra centenas de ocupantes do Movimento Sem Teto da Bahia no bairro de Tubarão. O terreno em área cobiçada pela especulação imobiliária pertence ao Governo do Estado da Bahia, que por meio de dação em pagamento recebeu o mesmo com destinação à habitação de interesse social. 

Mesmo em se tratando de imóvel destinado à moradia popular e que não cumpria com sua função social, nesta manhã, o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal despejaram as famílias sem ordem judicial, com uma esmagadora presença numérica e a constante ameaça do uso da força. Apesar da resistência por muitas horas com mobilização e palavras de ordem, os ocupantes tiveram seus barracos derrubados por um grande quantitativo de agentes da SEDUR - Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Urbanismo - e de escolta armada da polícia. Tratados como inimigos do estado brasileiro, tal como são os moradores das periferias, os trabalhadores informais, os sem teto, os sem terra, a resposta à reivindicação pelo direito a moradia veio com viaturas, fuzis e armas em punho. 

Em assembleia, na tarde de hoje, nossos militantes decidiram seguir em luta por sua comunidade do bem viver e, pelas dores das nossas mães negras e faveladas, dão o nome de Quilombo Marielle Franco a essa resistência. 
 
Exigimos do Governador do Estado da Bahia, Rui Costa, uma resposta imediata aos trabalhadores sem teto em vigília pela garantia do direito à moradia nesse terreno de mesma destinação. Para que não ocorra nos próximos dias mais cenas de violência contra o nosso povo.
 
Movimento Sem Teto da Bahia
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