Comunidade acadêmica discute o papel da Uneb e a defesa da universidade pública
Autor: Assessoria ADUNEBData de Cadastro: 08/06/2018

Na quarta-feira (06) o Campus I da Uneb recebeu o ato “Lutar e Resistir por uma Universidade Pública e Popular”. Organizado pela assessoria de comunicação da Uneb, o evento fez parte das comemorações dos 35 anos da universidade, celebrados neste mês de junho. Entre outros pontos, a atividade debateu a importância da Universidade do Estado da Bahia para a formação das novas gerações, seu papel em oferecer visibilidade a grupos historicamente oprimidos e os problemas atuais, a exemplo da falta de autonomia universitária e do baixo orçamento destinado pelo governo Rui Costa.
Apresentado em formado de roda de conversa, o tema central foi debatido pelos reitores, José Bites, da Uneb, João Carlos Salles, da Ufba, a coordenadora da ADUNEB, Caroline Lima, além de mais dez representações de organizações culturais, populares, movimentos estudantil, docente, de servidores técnicos, além de integrantes do grupo gestor.
Militante do Movimento Feminista e professora de história do Campus de Eunápolis, Caroline Lima, ressaltou a importância da construção de espaços de resistência diante do momento de avanço do conservadorismo. Dentre outros fatos que demarcam a atual conjuntura reacionária, que aumenta a violência sobre os grupos historicamente oprimidos, Caroline lembrou a Chacina do Cabula e o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ). “O brutal assassinato de Marielle foi um ataque da direita na tentativa de intimidar todos os movimentos sociais”. Em defesa da Uneb a professora fez duras críticas ao descaso do governador Rui Costa. Ela afirmou que o governo estadual coloca em prática uma política de governo que sucateia a universidade e prejudica a comunidade acadêmica. Caroline relembrou que quase mil professores das quatro universidades estaduais baianas têm seus direitos trabalhistas negados pelo Palácio de Ondina (leia mais). Da mesma maneira, como fruto do descaso, estudos do Dieese evidenciam o período Rui Costa como o de maior arrocho salarial aos docentes dos últimos 20 anos (leia mais). A professora finalizou conclamando a todas e todos para a continuidade dos atos de resistência na Uneb.

Coordenadora da ADUNEB, Caroline Lima, fez críticas ao governo estadual
O reitor José Bites iniciou sua fala pontuando o perfil da Uneb e sua importância histórica, tendo como alicerce a educação inclusiva, popular, de incentivo à interiorização e pautada em ações afirmativas. Após uma breve contextualização histórica dos 35 anos na instituição, fez a defesa de vários pontos que considera fundamental para a continuidade do ensino público e de qualidade na Uneb. Entre outros itens, citou o aumento do repasse do governo estadual de 5% para 7%da Receita Líquida de Impostos (RLI), a revisão da distribuição do orçamento entre as universidades estaduais baianas; a implantação do orçamento participativo e da Estatuinte.
Para a coordenação da ADUNEB, o reitor teve um importante posicionamento em defesa dos reais interesses da universidade pública, sobretudo, diante da atual conjuntura de avanço do neoliberalismo e da mercantilização da educação. A ADUNEB defende a luta conjunta de toda a comunidade acadêmica, nos pontos que as unificam, de toda a comunidade acadêmica. O sindicato ressalta ainda que a reivindicação de 7% da RLI é uma bandeira histórica do Movimento Docente (MD). Reforça ainda que o início dos processos de discussão sobre as implantações do Orçamento Participativo e da Estatuinte são conquistas do MD, conseguidas a partir da vitoriosa greve de 2015, principalmente da ocupação da reitoria (leia mais), no mês de junho daquele ano.

Ocupação da reitoria na greve de 2015 - Comunidade acadêmica cobra a Estatuinte do reitor
Muito aplaudido por todos os presentes o reitor da Ufba, João Salles, após a saudação inicial, fez referências a imprescindível necessidade de luta contra os ataques do governo Temer e foi incisivo na defesa da educação pública superior. Preocupado com o avanço da ciência, se posicionou de maneira crítica também ao governo estadual. Sales conclamou o reitor da Uneb para, juntos, defenderem a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). “Até mesmo governos progressistas, por vezes, não entendem a importância da universidade e da pesquisa”. A referência do reitor da Ufba diz respeito aos repasses irregulares feitos, desde 2015, pelo governo Rui Costa à Fapesb. Segundo carta de Salles ao governador, divulgada na imprensa no final de março, o problema atinge mais de 80% das pesquisas da Fundação. A dívida atual supera os R$ 70 milhões. A Fapesb é responsável por dar suporte a mais de 3 mil pesquisadores do estado da Bahia.
