Paralisações na Uneb - Estudantes protestam por permanência estudantil e infraestrutura
Autor: Assessoria ADUNEBData de Cadastro: 16/05/2018

O Movimento Estudantil da Uneb, de quatro campi do interior, realiza neste início de semana paralisações das atividades acadêmicas em suas respectivas unidades. Para denunciar à sociedade os problemas enfrentados pela falta de infraestrutura, baixo orçamento e descaso do governo do estado, os estudantes de Eunápolis fecharam os portões da Uneb na segunda-feira (14) e terça-feira (15). Também na terça alunos de Valença aderiram à paralisação. Hoje, quarta-feira (16), foi a vez dos campi de Bom Jesus da Lapa e Santo Antonio de Jesus.
Segundo as reivindicações divulgadas pelo Movimento Estudantil (M.E.) dos quatro campi, os problemas são semelhantes. De acordo com a nota publicada pelos alunos de Eunápolis, o protesto é contra o atraso no pagamento das bolsas auxílio residência/complementar; pela compra de móveis e utensílios; reparos nas residências; pela reabertura das inscrições da bolsa auxílio permanência, entre outras questões.
A reportagem da ADUNEB entrou em contato com um dos estudantes que organiza o movimento e pertence às Residências Universitária da Uneb, Campus XVIII, Eunápolis. Segundo o aluno, que pediu para não ter o nome divulgado, a partir da paralisação, a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (Praes) sinalizou que iria iniciar o pagamento das bolsas. Nesta quarta-feira (16) um documento, elaborado pelo Movimento Estudantil, com as reivindicações dos alunos e alunas, será protocolado na direção do departamento do Campus XVIII e na Praes. Os jovens afirmam que caso a pauta não seja atendida, novas paralisações acontecerão. Uma denúncia também será encaminhada ao Ministério Público.
Bolsa atrasada
A paralisação do Campus da Valença também ocorreu pelo descaso do governo Rui Costa e da reitoria da Uneb. Segundo um representante local dos alunos, o maior problema é a assistência estudantil, sobretudo, a bolsa auxílio que está atrasada há quase três meses. Nenhum estudante a recebeu desde o início das aulas, em 26 de fevereiro.
Foto: Divulgação M.E.

Estudantes do Campus de Valença
De acordo com a fonte local, outro problema é a baixa oferta da bolsa permanência, pois, desde o ano passado, a Uneb não abre edital para essa forma de apoio à formação do aluno. Destinada a estudantes em sócio vulnerabilidade, que sem esse recurso são obrigados a desistir do sonho do diploma universitário.
A posição do Movimento Estudantil do Campus XV é que se os problemas não forem resolvidos, novas paralisações acontecerão. A expectativa do M.E. que organiza os protestos é que outros campi também participem das paralisações nos próximos dias.
Pressão
No Campus de Bom Jesus da Lapa, local em que os problemas estruturais e as reivindicações são semelhantes aos outros dois campi, a nota do M.E. afirma que “O objetivo da paralisação é cobrar da Universidade soluções para a assistência biopsicossocial e permanência estudantil”. No local, embora o protesto seja pacífico, houve a presença da Polícia Militar, o que causou a intimidação de parte dos estudantes. Uma das lideranças do Movimento declarou à reportagem que, embora não tenha ocorrido força física, ficou “escancarado o uso abusivo do poder”.
Foto: Divulgação M.E.

Polícia Militar no interior do Campus de Bom Jesus da Lapa
Apoio docente
Professor da área de história do Campus de Eunápolis, Francisco Cancela, ressalta que as paralisações evidenciam a fragilidade da política de assistência estudantil da Uneb. “Os estudantes reivindicam direitos humanos básicos, como dignidade e respeito por parte da universidade, pois convivem com residências que não oferecem conforto, salubridade e segurança, além de enfrentarem atrasos e inconsistências na política de bolsas. Com isso, a permanência desses estudantes no ensino superior fica comprometida, ferindo a bandeira que sempre defendemos da universidade inclusiva”.
O docente Cancela ainda atenta para o déficit orçamentário das Ueba como um ponto central do problema: “Nós do Movimento Docente nos solidarizamos com a luta dos estudantes porque ela aponta para a necessidade de rediscutir o orçamento das Universidades Estaduais Baianas. Além disso, retoma o debate da democratização da universidade e evidencia mais uma vez o caminho da luta como alternativa para superação dos problemas que enfrentamos”, finalizou o professor de história do Campus XVIII.
Reitoria
Em nota a reitoria afirmou que não determinou a presença da PM no Campus de Bom Jesus da Lapa, solicitando a retirada da mesma assim que soube do fato. A administração central declarou ainda que reconhece a legitimidade das reivindicações e tem tomado providências no sentido de regularizar o pagamento de todas as modalidades de bolsas e melhorias nas residências estudantis.
