Palestra 200 anos de Marx: A Teoria Social em debate aconteceu na ADUNEB

 Os 200 anos de Karl Marx e a importância de sua Teoria Social foram temas de palestra na ADUNEB, na segunda-feira (07). Transmitida por videoconferência a todos os campi da Uneb e também pela página do facebook do sindicato, a mesa foi composta pelos professores Milton Pinheiro (ADUNEB), Vitor Wagner de Oliveira (UFMS) e teve a coordenação da docente Camila Oliver (Uneb Alagoinhas). A ação foi organizada pelo Grupo de Trabalho de Política de Formação Sindical (GTPFS), da ADUNEB.

O professor na área de história da UFMS, Vitor Wagner de Oliveira, iniciou suas reflexões demonstrando a importância social e política do conjunto das teorias de Marx. Segundo Oliveira, o esforço do pensador foi compreender o momento histórico ao qual estava inserido, sobretudo, no interior das relações de produção capitalista. Um dos principais objetivos do teórico alemão era estudar profundamente o sistema econômico vigente para poder superá-lo por meio da luta de classes, rumo a uma nova sociedade. Até aquele período, meados do Século XIX, os filósofos se dedicavam a interpretar o mundo. Marx acreditava que a mera análise já não bastava, era necessário atuar na transformação social.  
Oliveira explicou que a teoria marxista foi constituída no sec. XIX, com base na teoria e na ideologia da classe operária, para contrapor o liberalismo do sec. XVIII, em que tal formulação defendia a hegemonia burguesa.  
 
Durante a exposição, o historiador da UFMS fez a defesa do conceito de revolução em Marx. Para Vitor Oliveira, a trajetória daquele pensador evidencia que, além de teórico, ele foi um militante revolucionário e não um reformista. A partir de sua teoria propõe uma práxis. Esse caminho se inicia ainda no período conhecido como Jovem Marx, em 1845. Para o alemão, o sujeito histórico da revolução seria a classe operária. A revolução é um processo que leva ao ápice da luta de classes. De acordo com a formulação, a classe que nada possui, mas tudo produz na sociedade capitalista, derrubaria a classe parasita que nada produz, mas tudo possui. Assim, a tomada do poder seria para destruir o Estado burguês e iniciar a construção de uma nova sociedade.
 
Para o professor da Federal do Mato Grosso do Sul, trazendo a análise da luta de classes para a atualidade, apesar do avanço do neoliberalismo, é notório em todo o mundo a organização e a luta dos movimentos sociais, que se aglutinam sob temáticas diversas. Mas, só isso não basta. Somente um movimento com clara orientação socialista e revolucionária, a partir da base da classe trabalhadora, pode dar conta da tarefa gigantesca que é a construção da unidade contra o capital. Os lutadores e as lutadoras, os partidos de esquerda, e os movimentos sociais devem ter sempre como foco a superação do capitalismo.
 
O coordenador geral da ADUNEB e cientista político, Milton Pinheiro, começou sua participação ressaltando que Marx foi por excelência um filósofo que pensou a sociedade através da realidade concreta, que buscou o entendimento do mundo por meio da complexa análise do sistema capitalista, da relação entre o ser humano, o trabalho e da necessidade da revolução. Karl Marx, ainda hoje, tem sua atualidade teórica, sobretudo, no sentido de transformação social, na emancipação da classe trabalhadora. “A obra de Marx é uma maneira extraordinária de se pensar a realidade concreta. E ao pensar essa realidade, ele está dizendo que as interpretações e a teoria são particularidades dos momentos históricos e não algo a priori desse momento histórico”, explicou o professor. 
 
Milton Pinheiro, Camila Oliver e Vitor de Oliveira
 
Milton Pinheiro demonstrou ainda que o arcabouço teórico do marxismo contribuiu para o avanço das lutas de inúmeros setores oprimidos da sociedade. Marx foi o principal teórico da Associação Internacional dos Trabalhadores, fundada em 1864. O espaço foi o embrião das organizações dos trabalhadores de todo o mundo, que deu origem, inclusive, a primeira revolução proletária de 1871, a Comuna de Paris. De acordo com o cientista político, foi nesse período histórico que se universalizou a educação, se constituiu o divórcio, os direitos da mulher, se dissociou o Estado e a religião, entre outros avanços.
 
A importância dos estudos construídos por Karl Marx é evidenciada também pela maneira odiosa com que seus opositores trataram, e ainda tratam, suas teorias, seus discípulos e o próprio pensador alemão. Segundo Milton Pinheiro, Marx atraiu o ódio dos conservadores e dos intelectuais liberais. Em tempo de fascismo cotidiano, nunca se assassinou alguém por ser weberiano ou durkheimiano. Mas, na história da humanidade se prende, mata, tortura trabalhadores e trabalhadoras, que defendem a transformação da sociedade, tendo como base as ideias marxistas”, afirmou o diretor da ADUNEB. 
 
A perseguição à teoria marxista é considerada um dos componentes históricos responsáveis pelo desastre político e teórico do socialismo, ocorrido no Leste Europeu (dec. 80). De acordo com Pinheiro, por conta dessa derrota muitos acharam que o pensamento marxiano havia sido derrotado, em especial, o papel dos trabalhadores na transformação social. Mas, na verdade, a história mostra que rapidamente o pensamento de Marx se revigorou. Na crise de 2008, por exemplo, a sua principal obra “O Capital” foi um o livro mais vendido na Europa.
 
Diante da atual barbárie social, o coordenador da ADUNEB encerrou sua fala relembrando uma das frases mais conhecidas da obra O Manifesto Comunista: “Proletariados de todo o mundo: Uni-vos”.
 
A próxima atividade do Grupo de Trabalho de Política de Formação Sindical (GTPFS), da ADUNEB, está agendada para o dia 15 de junho, também no auditório do sindicato, sobre o tema o marxismo e as opressões raciais e de gênero. Em breve o debate será amplamente divulgado.
 
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