Residência pedagógica, proposta pelo governo Temer, precariza educação e trabalho docente
Autor: Assessoria ADUNEBData de Cadastro: 11/04/2018

Na última segunda-feira (09) a coordenação da ADUNEB promoveu uma roda de conversa sobre a Residência Pedagógica. Destinada a docentes e estudantes, a atividade mostrou que o pacote de maldades do governo Temer contra a educação pública não cessa. Agora, de uma única vez, atingiu a educação básica e a superior.
Em 1º de março, o Diário Oficial da União publicou a criação do programa de Residência Pedagógica. Na prática serão 45 mil bolsas, para estudantes de cursos de licenciatura, em um formato que irá intensificar a precarização do trabalho docente e reduzir a qualidade do ensino. Além disso, o governo federal, em paralelo ao citado projeto, ainda impôs o corte drástico de 35% dos participantes do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid).
De acordo com o edital do programa de Residência Pedagógica (leia aqui), o prazo de vigência será de apenas 18 meses. Desses, apenas quatro priorizam a orientação conjunta entre professor e aluno. Outros dez meses são destinados à imersão, ou seja, a prática em sala de aula, sendo 100 horas de regência. Para a coordenação da ADUNEB, o programa não deixa dúvida, será uma maneira de reduzir custos e o investimento no ensino público. De maneira concreta o que acontecerá será a substituição de professores das salas de aula por estudantes ainda em processo de formação, que irão receber remuneração inferior, se comparado com o salário de um docente, e sem a constante supervisão necessária de um formador. Ainda de acordo com o edital, cada professor orientador terá que ter de oito a dez estudantes, o que significa uma sobrecarga de função.
Outra crítica feita pela coordenação da ADUNEB ao projeto é o incentivo ao ensino privado e a mercantilização da educação. A Residência Pedagógica prevê o repasse de recursos do fundo público às instituições privadas de educação, fato já presente no Programa Nacional de Educação (PNE) e que é severamente criticado pelas entidades que, assim como ADUNEB, ANDES-SN e CSP-Conlutas, constroem e integram os Encontros Nacionais de Educação.
Pibid
Lançado em 2007, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), ao contrário do que propõe a Residência Pedagógica, tem como foco a sólida formação de novos professores. O objetivo se dá por meio da vivência em escola públicas e educação básica, mas com o acompanhamento contínuo de professores orientadores. Por ter uma proposta que valoriza a educação pública e se colocar oposta a política do atual governo federal, desde de 2016 o Pidib sofre ataques que tentam o seu desmonte. O novo edital, divulgado no final de fevereiro deste ano, cortou a bolsa de aproximadamente 70 mil participantes. O período do programa também foi reduzido de 30 para 12 meses.
A coordenação da ADUNEB vem a público manifestar a preocupação com os ataques ao Pibid, a imposição da Residência Pedagógica e o projeto de sucateamento da educação pública. O sindicato se manifesta contrário à Residência Pedagógica. Pautado pelas diretrizes do ANDES-SN, a ADUNEB luta por uma política educacional que dê relevância à emancipação social, baseada numa formação democrática e crítica.
Fontes: ANDES-SN, Adusb e Apufpr
