Mesa redonda debateu machismo, racismo e necessidade de reagir às contrarreformas golpistas

 Para iniciar a agenda da ADUNEB que demarca, neste mês de março, a luta internacional das mulheres contra todas as formas de opressão e machismo, o sindicato realizou a mesa redonda ““Mulheres na resistência para barrar as contrarreformas golpistas”. A atividade, que aconteceu na quarta-feira (07), no Campus I na Uneb, teve como debatedoras a coordenadora geral do Sindjufe, Denise Carneiro, e a professora e militante do Movimento Negro, Meire Reis. A mediadora foi a coordenadora da ADUNEB, Zózina Almeida.

Formada em história, a coordenadora do Sindjufe, Denise Carneiro, iniciou a mesa redonda com uma breve retrospectiva histórica, com o objetivo de demonstrar que a opressão às mulheres sempre existiu no país. Desde o Brasil Colônia a suposta democracia daquele período era apenas para homens, brancos e ricos. Já no século XX, a conquista do voto feminino, por exemplo, aconteceu apenas em 1932 e, ainda assim, inicialmente penas para mulheres casadas e pertencentes à elite social. 
 
Apenas nas últimas décadas que uma política de reparação, fruto de muita luta feminista, foi parcialmente implantada. Essa nova política se fez presente, entre outras, na Constituição de 88, na criação da Lei Maria da Penha e na implantação de secretarias para cuidar de mulheres em situação de risco. Porém, dentro do próprio governo Dilma e, posteriormente, intensificado no governo de Temer, começaram a acontecer intensos cortes e ataques às reparações em vigor. Dados disponibilizados por Denise Carneiro mostraram os cortes nos recursos federais, que eram destinados às políticas para as mulheres. Em 2011 foram encaminhados para a citada área R$ 114.000.000,00. Já em 2015, esse montante havia diminuído para apenas R$ 61.842.600,00. Um corte de quase metade da verba em apenas quatro anos.
 
Na última parte de sua fala, a representante do Sindjufe citou os principias ataques que o governo Temer tem feito à classe trabalhadora, como a reforma trabalhista e a reforma da Previdência, momentaneamente engavetada como fruto de muita luta e resistência das trabalhadoras e dos trabalhadores. Denise encerrou com um grave alerta: a tramitação no Congresso do Projeto de Lei Parlamentar (PLP) 459/17. Tal norma, se aprovada, impactará principalmente as mulheres. Trata-se de um esquema financeiro fraudulento, em que é criada uma empresa estatal de fachada para dar aparência de legalidade, mas, que na verdade desvia recursos públicos. O dinheiro é sequestrado no momento em que entra na rede bancária, nem ao menos chega aos cofres públicos. Na prática isso significa menos dinheiro para creches, escolas, hospitais e segurança pública. Leia aqui mais sobre o (PLP) 459/17.
 
Preconceito histórico contra mulheres precisa ser combatido com resistência e luta
 
A fala da militante do Movimento Negro e doutoranda da UFRJ, Meire Reis, demarcou que independente do momento histórico, a sociedade brasileira sempre foi machista e racista. Com o fim do período colonial e a formação do Estado brasileiro, o que se tinha eram os homens assumindo o espaço e o poder público. Assim, as mulheres foram excluídas da política, artes, cultura, e jogadas para o interior das residências.
 
O machismo e o racismo foram perpetuados ao longo dos anos pelas elites sociais vigentes. Já no século XIX, a produção científica foi utilizada para respaldar o preconceito. Teses demonstravam a mulher inferior ao homem, e os negros e negras inferiores aos brancos.
 
O século XX não fugiu à regra inferiorizando essencialmente mulheres, negros e negras pobres. Essas comunidades tiveram reduzido seus bens sociais, como saúde, educação, moradia. E o problema persiste até os dias atuais. “Ainda hoje a mulher é vista como fundamental para a manutenção da família. É ela que tem a obrigação de ficar com os filhos e fora das políticas públicas”, afirma a professora.
 
Para Meire Reis, as contrarreformas do presidente Temer vêm justamente no sentido de perpetuar a atual sociedade machista, racista, e garantir dinheiro para o pagamento da dívida pública. A professora, ao analisar a lei que limita os investimentos públicos, ressalta que, mais uma vez, os grandes prejudicados são mulheres, negros e negras. Reduzir em 20 anos a ação do Estado (serviço público de saúde, escola etc) significa colocar à margem as camadas mais pobres. E no Brasil os mais pobres são negros e mulheres. 
 
A docente finalizou sua explanação reforçando a necessidade da resistência e da luta, tanto contra o racismo e o machismo, quanto contra as políticas reacionárias do governo Temer. A sociedade não se sensibiliza com a morte do povo negro. A elite do país busca a permanência do status quo. Portanto, para quem busca a mudança, o horizonte possível é a resistência. “É preciso sempre continuar lutando. Ou luta ou morre”, concluiu Meire.
 
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