Resistência - Documentário mostra a força da ancestralidade africana na língua brasileira

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Sob olhares atentos da comunidade acadêmica e convidadas/os, foi lançado no teatro do Campus I da UNEB o documentário Semente Baobá: florescer dos falares brasileiros. A obra é dirigida pelo documentarista José Walter Nunes e produzida por Irê Oliveira, linguista, professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). O documentário é uma realização conjunta da Universidade de Brasília, UNEB, Universidade Federal do Espírito Santo e Universidade de São Paulo. A ADUNEB é uma das entidades apoiadoras da obra.

O audiovisual não possui fins lucrativos e, após as sessões de lançamento nas universidades, será disponibilizado para instituições de ensino, museus, centros de pesquisa e demais interessados.

Segundo o diretor José Nunes, que esteve presente ao lançamento desta quinta-feira na UNEB, o filme aborda as influências africanas no português falado no Brasil. Traz a riqueza, o legado, o patrimônio da cultura negra como resistência. “Pensamos em um filme que retratasse a perspectiva dos grupos que lutam pelo direito à memória, pelo direito à história, pelo direito à cidadania. Se houve a escravidão lá atrás, a gente quer falar agora da resistência”. Nunes continua: “Eu fiquei mobilizado (em fazer o filme) porque sempre achei que as variedades do português no Brasil eram hierarquizadas. E isso gera discriminação, preconceito. E geralmente sob as pessoas que são mais pobres, filhos de camponeses, que são negras, afro, que vivem em quilombo e etc.”, explicou.

Para a professora Irê Oliveira, produtora e uma das roteiristas do documentário, “A principal mensagem deixada pelo filme é que, apesar dos esforços da colonialidade para apagar os traços da ancestralidade dos povos negros do Brasil, corpos, vozes e gestos desses povos revelam como as línguas/linguagens-culturas trazidas pelos povos vindos de África configuram padrões interacionais e culturais brasileiros num formato afrodiaspórico”.

A Coordenadora Geral da ADUNEB, Karina Sales, em conversa com a reportagem, parabenizou o lançamento do filme. “Enquanto mulher negra e em nome da nossa Seção Sindical, saúdo essa importante obra que, entre outras potencialidades, mostra a força da nossa ancestralidade e se coloca em luta contra o preconceito linguístico e racial no país. Em breve, a ADUNEB fará uma sessão especial em nosso auditório, com posterior discussão sobre o tema. Assim que finalizarmos a organização, divulgaremos amplamente a atividade”, finalizou.

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