Protesto e vigília na SEC – Docentes das universidades estaduais reagem ao descaso do governador



Após mais um descaso do governo estadual, lideranças sindicais do movimento docente das quatro universidades estaduais (ADUNEB, ADUFS, ADUSB e ADUSC) decidiram fazer uma vigília de 24 horas em frente à Secretaria Estadual de Educação (SEC), no Centro Administrativo da Bahia, em Salvador.
A decisão das professoras e dos professores aconteceu ao final do ato de protesto realizado na SEC nesta quarta-feira (29). A mobilização teve o intuito de denunciar à sociedade a falta de vontade política do governo do estado com a categoria docente, que há um ano tenta abrir a mesa de negociação com os representantes de Jerônimo Rodrigues. A manifestação teve a participação de docentes das quatro universidades e contou com o apoio do movimento estudantil.

Manifestante e o bolo de protesto. Um ano sem negociação
Segundo as coordenações das Associações Docentes que compõem o Fórum das ADs, vários direitos trabalhistas seguem sendo desrespeitados, a exemplo da implantação de adicionais de insalubridade e periculosidade e a reincorporação do anuênio. Além disso, a categoria luta pela revogação da reforma da previdência estadual e pela qualificação do Planserv. As universidades ainda enfrentam grave contingenciamento orçamentário, sobretudo nas rubricas de custeio e de investimento.
Contingenciamento orçamentário
Apenas na UNEB, de 2020 a 2025, o governo deixou de executar R$ 461 milhões em manutenção e R$ 175 milhões em investimento. Os recursos foram aprovados pela Assembleia Legislativa, mas o Executivo não liberou o dinheiro para a universidade. Nas quatro UEBAs, somente em 2025, mais de R$ 365 milhões foram cortados, fato que evidencia uma política de Estado voltada ao desmonte da educação pública superior. Os dados são do Portal Transparência Bahia.
Professora do Campus de Seabra, a 460 km de Salvador, Rafaela de Oliveira não mediu esforços para estar no protesto em frente à SEC. “O que me move a estar aqui é a necessidade permanente de lutar pelos nossos direitos e pela educação pública. Nós sofremos cortes orçamentários; tem sido extremamente trabalhoso atuar em pesquisa, principalmente porque não há investimento em questões mais simples, como, por exemplo, deslocamentos, sobretudo dos estudantes.” Rafaela se queixa também da falta de sede própria: “No meu campus, a gente vive a situação de um espaço cedido, que não foi doado. A gente vem há alguns anos tentando negociar essa doação”, desabafa.

Concentração em frente à SEC
Insalubridade
Docente da UNEB desde 2022, Josiane Silva Martins Carvalho é farmacêutica bioquímica e atua no Campus de Salvador, no Departamento de Ciências da Vida (DCV). Ela chama a atenção para a ausência do adicional de insalubridade. “Eu e outros tantos colegas não recebemos insalubridade. A solicitação do processo foi feita, mas está parada no sistema. Apesar disso, fazemos um esforço enorme para oferecer o melhor trabalho possível. Represento uma categoria bem grande de professores que também estão em situação de insalubridade e em diversas outras situações difíceis. Espero que essa manifestação de hoje resulte em avanços para a nossa luta e para as nossas pautas.”

Parte das professoras e professores da UNEB na manifestação
Negociação já!
A coordenadora-geral da ADUNEB, Karina Sales, é a representante da Seção Sindical que participa da vigília de 24 horas na SEC. Em seu discurso durante o protesto, ela cobrou o governador e o secretário de Educação, Március Gomes, que foi docente da UNEB. “Nós não estamos aqui para comemorar um ano sem negociação. O que a gente pede é o mínimo, é respeito. Que o governo nos receba, negocie, atenda àquilo que assumiu como compromisso: que sentaria para negociar. Então, reabra a mesa de negociação, governador. Secretário de Educação, você também é professor e da UNEB, conhece a realidade da instituição. Um ano sem sermos recebidas e recebidos, um ano sem negociação não dá. Negocia, governador!”, finalizou a liderança sindical.
Mais docentes da UNEB no protesto


