ADUNEB vai ao Grito das Excluídas e Excluídos e reivindica o fim da escala 6x1



Feriado de 7 de setembro. Aos poucos, elas e eles começaram a chegar. Trabalhadoras e trabalhadores de todos os cantos e categorias. Movimentos sociais, populares, sindicais e outras organizações políticas. Todas e todos ocupando as ruas, do Largo do Campo Grande à Praça Castro Alves, em Salvador. É a histórica marcha do Grito das Excluídas e dos Excluídos que, na edição de 2026, teve novamente a tradicional participação de representantes da ADUNEB. Nesta 32ª edição, o lema foi “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”. Além disso, as/os docentes da Seção Sindical, com uma faixa temática, acompanhada por bandeiras e camisas do Grito, levaram para a avenida a reivindicação do fim da escala 6x1 na jornada de trabalho.
Sem se importar com a distância de 778 km, o professor Fernando Carvalho veio do campus da UNEB de Bom Jesus da Lapa para participar da manifestação. “Minha participação aqui significa um ato político, pois, neste espaço comemorativo e simbólico, consigo, além de enaltecer a independência do nosso país, marcar posição em defesa de outros direitos de que nossa classe trabalhadora necessita”. E foi em defesa das trabalhadoras e dos trabalhadores que ele ergueu os punhos na avenida e bradou pelo fim da escala 6x1. “Acredito que esse é o grande momento para que toda a população, que valoriza e concebe a jornada trabalhista como prioridade, possa se organizar para fortalecer essa reivindicação tão histórica para nosso país”, afirmou o professor.

Também do interior e de longe, a docente Raiza Canuta, representante da ADUNEB no Campus de Eunápolis, participou do Grito das Excluídas e Excluídos 2026. A professora falou sobre a importância da mobilização e da pressão popular sobre o Senado pelo término da escala 6x1. Segundo ela, a pauta é urgente para a sociedade brasileira, pois é preciso viver para além do trabalho. Com olhar crítico ao patriarcado e ao machismo no mercado de trabalho, ela comentou: “A economia do cuidado, no sistema capitalista, histórica e culturalmente nos impõe que esse trabalho seja exercido sobretudo por mulheres. A gente percebe que a escala 6x1 representa também para nós, mulheres, sobrecarga de trabalho (além da escala funcional). É a dupla, é a tripla jornada. Então, abaixo a escala 6x1!”.
Aposentada de luta
Professora aposentada do Campus de Alagoinhas desde 2016, Doralice Santos Sampaio também participou da mobilização e quis vestir a camisa da ADUNEB. “Estou aqui batalhando pela política, pela melhoria da qualidade do ensino público, da categoria docente, do país como um todo”. Apesar de aposentada, Doralice faz questão de seguir sindicalizada. “É o sindicato que luta por nossos direitos, que luta pelo direito do funcionário, do servidor público. Sem um sindicato, a gente não tem melhoria nenhuma de salário, de vida, de nada”, afirmou, com brilho nos olhos, a professora.

Compromisso
Coordenador das Subseções Departamentais da ADUNEB, Edson Fernando Oliveira Silva foi uma das lideranças sindicais que somaram forças ao protesto. Ele comentou sobre a histórica participação da Seção Sindical. “É a reafirmação de um compromisso histórico com a luta da classe trabalhadora e, em específico, de docentes. Desde sua fundação, a ADUNEB compreende a universidade pública não como uma instituição isolada dos movimentos sociais, mas como parte constitutiva deles, sobretudo numa universidade multicampi como a UNEB, que nasceu para democratizar o acesso ao ensino superior no interior da Bahia e para populações historicamente excluídas, majoritariamente negras e periféricas. Estar no Grito é, portanto, reconhecer que a defesa da educação pública, gratuita e de qualidade é indissociável da defesa da vida, do trabalho digno e dos direitos sociais garantidos pela Constituição Federal”, encerrou o professor.


