Solidariedade ao Cacique Babau, ofendido por ministro do STF
Autor: Assessoria ADUNEBData de Cadastro: 05/09/2023

Liderança indígena do povo Tupinambá da Serra do Padeiro, respeitado por seu histórico de luta em favor dos direitos dos povos originários, o Cacique Babau foi difamado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na última quarta-feira (30). O ataque verbal foi proferido durante uma das sessões do STF que julga a constitucionalidade do Marco Temporal às terras indígenas.
Segundo as denúncias nas redes sociais, divulgadas por entidades representativas dos povos indígenas, a fala do ministro sugeriu que o Cacique Babau não seria indígena, e sim “um negro ali de Minas Gerais”. Além disso, ainda teria declarado que com suas ações Babau provoca medo na população da região Sul da Bahia.
A coordenadora da pasta de Gênero, Etnia e Diversidade da ADUNEB, Iris Verena de Oliveira, relembra que, devido à destacada luta do Cacique Babau pelos direitos dos povos das florestas, em novembro de 2018, ele foi homenageado com a Comenda Dois de Julho, a mais alta condecoração oferecida pela Assembleia Legislativa da Bahia. Em junho de 2021, o líder Tupinambá foi agraciado pela UNEB com o título de Doutor Honoris Causa, a honraria máxima da universidade. “Foi com muita indignação que ouvimos as falas caluniosas dirigidas ao Cacique Babau. Em um país democrático, a luta dos povos indígenas pelo território precisa ser a luta de todas e todos nós. A fala do ministro tenta deslegitimar uma liderança histórica do Movimento Indígena, respeitado não só na Bahia, mas em todo o país. O mínimo que se espera é uma retratação pública do ministro”, afirma Iris.
Para a professora Maria Geovanda Batista, Coordenadora do Núcleo de Estudos Interculturais e da Temática Indígena (CEPITI), do Campus da UNEB de Teixeira de Freitas, não são poucas as contribuições que o Cacique Babau vêm dedicando na defesa de sua comunidade, do seu território e, principalmente, da natureza e da Mata Atlântica. “Nós, docentes pesquisadoras e pesquisadores do CEPITI e da UNEB, ficamos muito chocados com o modo como o ministro do STF, Gilmar Mendes citou o Cacique Babau. Trata-se de acusações e juízo infundado, sem lastro com a realidade, fere não apenas, sua honra e de seu povo Tupinambá. Também, serve como munição aqueles que, cobiçando suas terras têm patrocinado inúmeros ataques e violências variadas em seu próprio território originário. Que, diferentemente do que lhe foi atribuído, como pertencente a Minas Gerais, encontra-se situado no Sul da Bahia”.
Outra liderança indígena, Agnaldo Pataxó Hã Hã Hãe, Coordenador Geral do Movimento Unidos dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (MUPOIBA), afirmou na página da entidade no Instagram que o ministro agiu de maneira “discriminatória” e “racista”. “Nós vamos tomar todas as providências, de acordo o Constituição, para que o Ministro Gilmar Mendes possa responder, de acordo com as luzes das nossas leis, pelo seu ato racista e preconceituoso, não respeitando a Constituição Federal, não respeitando o modo dos povos originários se organizarem e escolherem os seus líderes”. O Pataxó encerra convocando os Movimentos Indígena e Negro para protestarem contra o ato do ministro do STF.
