Matéria especial - A luta das populações negras por moradia, ocupação do espaço urbano e dignidade

Nesse mês da Consciência Negra, as discussões trazidas por diversos grupos dos movimentos sociais evidenciam que, 134 anos após a abolição da escravatura, o racismo estrutural no país continua a ser um dos principais desafios para quem almeja uma nação realmente democrática. Dentre os vários aspectos que servem de parâmetro para comprovar as distintas realidades raciais do Brasil, estão as questões relacionadas à política de moradia à população negra.
Morar não é apenas estar abrigado em uma casa, é necessária infraestrutura física além de uma série de políticas públicas que permitam que um lar seja sinônimo de dignidade. Para o professor Sandro dos Santos Correia, doutor e pesquisador nas áreas de planejamento territorial e desenvolvimento social, existe uma discrepância na qualidade dos serviços públicos oferecidos à população quando se compara o que se destina à população que ocupa o centro de Salvador com o que se reserva às pessoas que habitam as periferias. Tal discrepância configura segregação espacial e pode ser comprovada na comparação de serviços como oferta de linhas de transporte coletivo, coleta de lixo, saneamento básico, asfaltamento, escolas públicas, postos de saúde, entre outros.

