ADUNEB exibe “Semente Baobá: o florescer dos falares brasileiros

Público de Salvador e Itaberaba participou do encontro nos dias 03 e 04 de novembro.

Por ADUNEB · Publicado em

O documentário “Semente Baobá: o florescer dos falares brasileiros” convidou o público de Salvador e de Itaberaba a uma viagem pela língua e pelas linguagens brasileiras, sob uma perspectiva afrodiaspórica, nas exibições realizadas, com o apoio da ADUNEB, nos campi de Salvador e Itaberaba, nos dia 03 e 04 de novembro. As sessões contaram com as presenças do diretor José Walter Nunes e da produtora Irê Oliveira.

Para além de trazer à luz elementos da língua brasileira originados de idiomas africanos, o filme também se debruça sobre a linguagem para além das palavras. É o que destaca no filme o professor e pesquisador de línguas iorubanas Adinelson Akanbí Odé Filho quando convida o espectador a perceber também a entonação das palavras, os gestos que as acompanham e a forma como o corpo fala com elementos da ancestralidade africana.

Nessa direção, Semente Baobá vai expandindo suas referências, florescendo, como sugere o próprio nome do documentário, pelos falares que atravessam a religiosidade, as manifestações culturais populares, a culinária, a estética visual, a dança e a música. Nesse trajeto, discute territorialidades, a diversidade dos falares, a oralidade, o empoderamento e o protagonismo negro africano e afrobrasileiro na constituição identitária brasileira; sem deixar de levantar discussões importantes sobre preconceito linguístico, racismo, bullying.

Além disso, também traz importantes perspectivas sobre a necessidade de aprofundamento e ampliação de pesquisas sobre os falares brasileiros no âmbito acadêmico. José Walter destacou que “no campo da linguística, são muito recentes os estudos sobre o protagonismo das culturas africanas e dos povos escravizados na história do país”. O diretor aponta que, ainda que haja atualmente um certo nível de consciência disso, muito em função e decorrência das lutas populares, há muito o que avançar.

No debate que ocorreu após a exibição em Salvador, a professora Kátia Barbosa, Coordenadora de Comunicação da ADUNEB, destacou a importância do documentário na formação de professores, para que possam entender comportamentos e linguagens e lidar com diferentes situações em sala de aula. “Vocês conseguiram juntar nessa obra algo que é valioso para os professores, inclusive para entender que não há como acontecer uma educação de qualidade que não seja antirracista”.

O filme também identifica e reconhece a relevância dos espaços de terreiro para a preservação e a perpetuação da língua, da linguagem e da cultura. Nesse sentido, Dina Maria Rosário Santos, professora que integra a coordenação do Grupo de Pesquisa RIZOMAR, responsável pela exibição em Itaberaba, destaca que, ao registrar e refletir sobre os temas que propõe, “Semente Baobá” é uma forma de honrar os ancestrais e dignificar a vida dos que nos trouxeram até o presente momento.

“Semente Baobá: o florescer dos falares brasileiros” é uma realização conjunta da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e da Universidade de São Paulo (USP). O filme está em fase de lançamento, realizando exibições nas cidades e espaços de parceiros. Segundo a produtora Irê Oliveira, após esta fase o documentário deverá ser disponibilizado de forma ampla, inclusive, com o desejo de circulação nas escolas e outras instituições de ensino.

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