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ADUNEB-Mail 2015 – Edição 584 (29/07/15)

Por Aduneb · Publicado em
Após novas discussões, proposta de Minuta de Acordo será encaminhada aos professores nesta terça

 Na segunda-feira (27) os professores em greve das Universidades Estaduais da Bahia (Ueba) e os representantes do governador Rui Costa tiveram mais uma rodada de negociações. Em pauta, após a reunião da última sexta-feira (24) (leia mais), estava a discussão sobre os ajustes à proposta de minuta de acordo. Devido à falta de sensibilidade política de Rui Costa, a greve já dura 77 dias.

Após as discussões e o tensionamento do Movimento Docente (MD) para o cumprimento da pauta, os representantes das secretarias da Educação e Administração se comprometeram em entregar ao MD, até o final da tarde desta terça-feira (28), a proposta de Minuta de Acordo com os ajustes debatidos. Os professores aguardam o envio do documento para a análise do material. A próxima Assembleia Docente da ADUNEB ocorre nesta quinta-feira, às 9h, no auditório do Depto de Educação do campus I. 
 
Lição ao governo
 
Além dos docentes ensinarem aos representantes de Rui Costa a importância de se defender a educação pública, também foram obrigados a ensinar questões relacionadas à ética e ao uso responsável do dinheiro público. Pela segunda vez consecutiva a negociação com os professores das Ueba aconteceu em uma sala de reuniões de um hotel particular, no bairro de Patamares, em Salvador. Questionado sobre o fato o superintendente do setor de recursos humanos da Saeb, Adriano Tambone, informou que devido à ocupação realizada na SEC, por parte de professores e estudantes, as reuniões aconteceriam naquele local. O comentário de Tambone gerou duras críticas do MD. Para os docentes, na tentativa de afastar o Movimento Grevista do prédio da SEC, os gestores passaram a utilizar um espaço privado, pago com recursos públicos. Os professores exigiram que a próxima reunião volte a ocorrer em um prédio público, visto que as atividades em andamento são entre servidores estaduais.

 Reunião para ajustes na proposta de acordo - em defesa das Ueba


Reitoria mostra lentidão na resolução das pautas internas

O Comando de Greve da ADUNEB reunido com a Reitoria, em 27.07, após pressionar novamente a Administração Central, constatou a lentidão e inoperância dos gestores da Uneb na resolução das pautas internas. Dois dos principais assuntos da reunião eram a instalação da Estatuinte e a formação das comissões, responsáveis pelo avanço nas soluções dos problemas da universidade. A pauta interna foi entregue ao Reitor José Bites logo após a deflagração da greve (leia mais) e, posteriormente, reforçada durante a ocupação da Reitoria (leia mais).

Sobre a Estatuinte, depois de muita luta e pressão do Movimento Docente, desde o ano passado, o Reitor José Bites comunicou só agora que convocará a instalação da Estatuinte na Uneb. Porém, para além do discurso e de uma nota publicada no site da universidade, na prática nada tem sido feito. Diante dos questionamentos da ADUNEB sobre datas, metodologia e início das discussões, as respostas do Reitor continuam sendo evasivas.

A Associação dos Docentes da Uneb reivindica não apenas a rápida instalação do processo de discussão da Estatuinte, mas, fundamentalmente, que os debates aconteçam de maneira ampla e democrática. As mesmas oportunidades e espaços de discussões devem ser oferecidos aos três segmentos na universidade reconhecidos pela ADUNEB: professores, estudantes e técnico-administrativos. Entre os princípios defendidos pelo sindicato, além da paridade entre os segmentos, está o respeito às especificidades da multicampia. 

Comissões

Sobre o trabalho das comissões, sugeridas pelo próprio Reitor na reunião de 16 de junho, segundo o Comando de Greve, o que se observa é a mesma lentidão e falta de vontade política. Embora José Bites tente mascarar a realidade afirmando a existência de várias comissões, na realidade o que se constata é pouco trabalho e quase nenhum avanço prático. De concreto apenas as reuniões da Comissão de orçamento, que organiza um seminário sobre o tema. 

Para os professores da ADUNEB, é necessário celeridade em várias outras comissões e grupos de trabalho, a exemplo das discussões sobre pesquisa e pós-graduação, passagens e deslocamento docente, assistência médica regionalizada, creches e restaurantes universitários, entre outros temas. 

O Comando de Greve ressalta que as discussões da reunião e a falta de disposição da Reitoria na resolução dos problemas internos serão levadas para a análise da categoria, em assembleia geral docente. A pauta interna da Uneb é dos pontos de discussão da assembleia desta próxima quinta-feira, às 9h, no auditório do Departamento de Educação - campus I.


Respostas vazias da Reitoria
 

NOTA PÚBLICA DO FÓRUM DAS ADs – 
DE QUAL LADO ESTÃO OS REITORES DAS UNIVERSIDADES ESTADUAIS?

Omissão, ao contrário do que alguns pensam, não é deixar de tomar posição. Ao se omitir, toma-se a posição de defesa, ainda que velada, pelo lado mais forte, o do opressor.  É isso que vem acontecendo por parte do Fórum de Reitores das Universidades Estaduais da Bahia (Ueba) em relação à crise nas instituições de ensino superior do Estado. 

Desde que a greve dos professores das Ueba foi deflagrada em 13 de maio do corrente ano, os professores organizados nas Associações Docentes (AD) apontavam para um movimento que levantava duas bandeiras: “a defesa da Universidade pública e a valorização do trabalho docente”. Ao incorporar a bandeira dos discentes – por uma política de permanência estudantil- defendíamos que esta era uma luta de toda universidade. Correndo o risco de esvaziamento por não tratar diretamente de uma pauta corporativa da categoria, embora tivesse todos motivos para isso, o movimento Docente (MD) apresentou grande maturidade em pautar uma luta contra aquilo que era mais latente no momento, ou seja, a intensa precarização das Ueba e o forte ataque ao Estatuto do Magistério Superior. 

As três categorias dentro das Universidades Estaduais da Bahia entenderam a lógica do movimento paredista. A exceção foram os Reitores e a Reitora que optaram pela omissão frente ao franco ataque do Governo do Estado, Rui Costa – PT. 

O caso mais marcante foi quando o Governador (ou seus prepostos), em 17 de julho, encaminhou a PM (Rondas Especiais- Rondesp) para “negociar” com os professores a desocupação da Secretaria de Educação. A ocupação foi imperativa diante dos poucos avanços nas negociações. Um(a) gestor(a) não pode se omitir em um momento tão delicado, especialmente quando aqueles que não se omitem e se levantam contra a política desastrosa do Governo Petista tem sua integridade colocada em risco. Lamentável! 

Vale ressaltar que o mesmo Fórum de Reitores que assinou, em outubro de 2014, documento exigindo que o governo do Estado se comprometesse com a ampliação de recursos orçamentários, apontando para a necessidade de 7% da Receita Líquida de Impostos para as UEBA, foi acometido por uma súbita amnésia política. Em todo processo de negociação entre o movimento grevista e o governo do Estado os gestores institucionais se calaram. Mesmo quando o Fórum de Reitores foi constrangido pelos representantes do Governo e proibido de participar, como observadores, do processo de negociação, não houve qualquer manifestação de indignação por parte destes. 

Mesmo reconhecendo a diferença entre a luta sindical, estudantil e a burocracia institucional, ainda assim, lamentamos o não posicionamento das reitorias em defesa da comunidade universitária. Não reivindicamos participações pontuais, aparições condicionadas à pressão dos grevistas e dos estudantes. O que se espera de um gestor comprometido com a “coisa pública” é a defesa intransigente e explícita desta.

A redução do orçamento das Ueba, bem como o ataque aos direitos trabalhistas e estudantis, constitui-se enquanto um ataque à autonomia das universidades, principio consagrado na Constituição Brasileira de 1998. Motivo suficiente para a participação ativa dos gestores e não sua omissão. A impressão é que a aparência da crise – que deve ser escondida- é mais grave e incômoda do que a crise em si.       

Por estes motivos, além de repudiarmos de forma veemente a politica do Governo Rui Costa – PT para as Universidades Estaduais da Bahia, denunciamos a negligência dos Reitores e da Reitora das Ueba. Ao mesmo tempo, exigimos posicionamento público do Fórum de Reitores sobre a situação das universidades por eles geridas. 


 

ADUNEB na Estrada – Agenda de Greve faz discussões em Coité e Serrinha

O projeto ADUNEB na Estrada – Agenda de Greve continua suas atividades nesta semana. Na terça-feira (28) esteve no campus de Coité para dialogar com a comunidade acadêmica local. Durante a reunião, entre outros pontos de discussão, estavam a greve, a pauta interna e o processo Estatuinte.  

No debate sobre a pauta interna os professores locais apresentaram as demandas do Campus XIV. As principais reivindicações foram déficit no quadro de vagas docentes; falta de infraestrutura mínima de funcionamento nos laboratórios da rádio, TV e fotografia; comissão de conciliação para assédio moral; problemas relacionados à passagem docente para trabalho, entre outras. 

Já nesta quarta-feira (28) o Comando de Greve estará com os docentes de Serrinha. Além das discussões acerca das pautas universitárias, os professores da ADUNEB marcarão presença na audiência pública sobre o Plano Municipal de Educação, e as discussões de gênero e sexualidade.  


Campus de Coité também na luta
 

Vito presente, sempre!

A comunicação sindical, operária e popular brasileira perdeu na última sexta-feira (24) um dos seus maiores e mais ativos representantes. Vito Giannotti faleceu no Rio de Janeiro aos 72 anos. Vitão, como era carinhosamente conhecido no meio sindical, era muito mais que historiador, escritor, jornalista e professor. Era um militante social incansável em defesa da classe trabalhadora. Com carisma e estilo inconfundível, renovava sua energia pra luta a cada nova palestra, a cada nova fala, a cada novo livro publicado. 

Vitão nasceu na Itália em 1943. Radicado no Brasil há mais de 50 anos. Foi como militante do movimento operário que lutou contra a ditadura militar. Quando o objetivo era a defesa da classe trabalhadora contra o capital não media esforços. Encontrou na comunicação sindical, operária e popular a sua principal ferramenta de luta. Por meio de suas palestras, entrevistas e livros colaborou na formação de centenas de jornalistas e comunicadores, todos para o enfrentamento á mídia burguesa e desconstrução do discurso hegemônico. 

No começo da década de 90 fundou o Núcleo Piratininga de Comunicação, responsável pelo maior evento anual de comunicação sindical do país. Vitão rompeu barreiras e paradigmas. Mostrou que a simplicidade é o segredo da escrita revolucionária. É autor de 20 livros, entre eles, “O que é jornalismo sindical” (ed Brasiliense, 1998); Comunicação Sindical, falando para milhões (Ed. Vozes); Muralhas da Comunicação (Ed. Mauad) e Dicionário do Politiquês (Edições NPC). 

Em 2014, convidado pelo Fórum das ADs, Vito esteve na ADUNEB para realizar uma palestra sobre comunicação sindical. Poucos dias antes havia sofrido um princípio de derrame. Como um bom lutador era forjado no aço. Não se intimidava diante de nada, nem mesmo da morte. Vito se foi. Deixou conosco sua história, seu exemplo e, acima de tudo, suas obras, um legado imprescindível à luta revolucionária.  

Obrigado companheiro! 
Vito presente, sempre!
                                                                       Foto: Centro de Estudos Victor Meyer

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