08 de março: Dia Internacional de Luta da Mulher
Boletim especial da ADUNEB sobre a luta das mulheres aborda a situação e os desafios da mulher no Brasil hoje.

A data 8 de março foi aprovada como dia Internacional de Luta da Mulher no II Congresso Internacional das Mulheres Socialistas, em 1910, na Suíça. Algumas pesquisadoras afirmam que a aprovação da data teria sido uma homenagem a 129 operárias mortas em um incêndio provocado pelo patrão em virtude de uma greve das trabalhadoras, em 1857, nos EUA. No entanto, a partir da década de 70, estudos questionam a existência desta mobilização que culminou com a morte de várias trabalhadoras.
O fato é que, em 1921, a data foi reafirmada na Conferência das Mulheres Comunistas, realizada em Moscou, como uma homenagem às mulheres tecelãs da Rússia que protagonizaram uma greve, em 1917, contra a fome e a guerra. Esta mobilização foi um marco importante para a revolução de fevereiro e a derrota do czarismo na Rússia.
Apesar das diferentes versões sobre as origens do 08 de março, é inquestionável que este dia está associado à luta das mulheres em todo o mundo. A data, portanto, se constitui um rico momento para discutir a realidade das mulheres e fortalecer a sua luta!
Apesar dos avanços históricos, ainda há muito que se conquistar!
As mulheres, através da luta, conseguiram importantes vitórias, como o direito ao voto e ao divórcio. No entanto, como veremos neste boletim, os índices sobre a realidade da mulher hoje ainda são alarmantes, demonstrando que a opressão segue aprofundando os níveis de exploração de milhões de mulheres trabalhadoras no mundo. Aqui, destacaremos a situação da mulher no Brasil e na Bahia.
Apesar de representar mais da metade do total de habitantes do Brasil, as mulheres continuam com condições de vida inferiores aos dos homens. De acordo com o Anuário de Mulheres Brasileiras de 2011, lançado pelo Dieese e pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo federal, os salários das mulheres representam apenas 56% do que ganham os trabalhadores do sexo masculino, ainda que elas tenham estudado em média um ano a mais que os homens. As mulheres são, ainda, 58,7% dos indigentes e 53,7% dos pobres do país.
Embora as mulheres estejam cada vez mais presentes no mercado de trabalho, sua inserção tem se dado, principalmente, a partir dos trabalhos mais precarizados, nas áreas menos informatizadas e com níveis mais baixos na escala de qualificação profissional. Segundo o IBGE, as mulheres encontram mais dificuldades em ocupar cargos e, quando conseguem, ficam geralmente em postos considerados inferiores. De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego, o índice nacional de desocupação é de 5% entre os homens, mas salta para 7,6% com as mulheres.
Na Região Metropolitana de Salvador, a Pesquisa de Emprego e Desemprego de 2010 (PED – RSM) também demonstra que a situação é chocante. Mesmo com nível de escolaridade e ocupação equivalentes, no mercado de trabalho assalariado com carteira assinada, por exemplo, as mulheres recebiam quase 5 reais a menos, por hora trabalhada, que os homens. Segundo o Anúario das Mulheres Brasileiras de 2011, a mulher com nível superior ganha 30% menos que o homem com o mesmo nível.
Falta de creche: descaso de governos e prefeituras com as mulheres trabalhadoras

Sem creches, a mulher encontra mais dificuldades para conseguir um emprego ou se manter nele. Esta é a situação de muitas professoras e estudantes da UNEB. Na Universidade, não há creche para filhos de docentes, técnicas e alunas. Existe um projeto, elaborado pela UDO em 2010, que prevê a construção de creche na UNEB. No entanto, segundo a Proinfra ainda não há previsão para construção do prédio, em função da “falta de orçamento”. A UNEB completará 29 anos sem a existência deste direito para as mulheres. Não é possível esperar mais, a UNEB precisa de creche que atenda toda a comunidade acadêmica!
Com uma breve avaliação dos índices sobre a situação da mulher no nosso país hoje é visível a necessidade de dar continuidade às lutas específicas das mulheres. No entanto, as bandeiras das trabalhadoras devem ser reivindicações de toda a classe, afinal a luta contra o machismo é também uma luta contra a exploração. O machismo é utilizado para aumentar a exploração do conjunto dos trabalhadores. As mulheres, assim como os jovens, são utilizadas para regular o preço da mão de obra, porque são mais “baratas”.O Movimento Mulheres em Luta (MML), fundando em 2008, no I Encontro Nacional de Mulheres da Conlutas tem esse objetivo de organizar as mulheres trabalhadoras para levar adiante a luta contra a opressão e batalhar para que esta seja assumida por toda a classe. Conheça mais o MML aqui.
O I Seminário Nacional de Mulheres do ANDES-SN, realizado pelo sindicato nacional em 2011, reforça também esta concepção de fortalecer o debate específico das mulheres e avançar na inscrição dos direitos da mulher no conjunto da luta da classe trabalhadora. Para este ano, está previsto o segundo seminário que deverá dar continuidade a proposição de políticas de atenção às mulheres, especialmente às docentes.
A ADUNEB saúda todas as mulheres que lutam e sonham com a letra da música "Maria, Maria" de Milton Nascimento
(Milton Nascimento)
Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do planeta
Maria, Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que rí
Quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida....
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria...
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida....
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Hei! Hei! Hei! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê!...
Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria...
Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho, sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!!
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Lá Lá Lá Lerererê Lerererê
Hei! Hei! Hei! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!
Ah! Hei! Ah! Hei! Ah! Hei!

