Mesa Redonda discute a história do Movimento Docente da Uneb

Atividade reforçou a importância da ADUNEB e da união docente em defesa da categoria

Por Assessoria ADUNEB · Publicado em

 O olhar à história confirma: só a luta muda a vida! A Mesa Redonda promovida pela ADUNEB na última quarta-feira (25), que fez o resgate de parte da história do Movimento Docente (MD) da Uneb e sua trajetória em defesa das Universidades Estaduais foi considerada memorável pela diretoria do sindicato. A atividade aconteceu no campus de Salvador e teve a transmissão, através de videoconferência, disponibilizada a todos os campi da universidade. Os convidados foram os professores Carlos Zacarias (Ufba) e Clovis Ramaiana (Uefs), dois históricos e valorosos lutadores que, por anos, quando eram professores da Uneb, estiveram ombro a ombro presentes nas trincheiras de luta da ADUNEB. A Mesa Redonda fez parte das ações do MD para a Semana de Luta Unificada do Setor das Instituições de Ensino Estaduais e Municipais (Iees / Imes), indicada pelo ANDES-SN, que aconteceu nacionalmente de 23 a 27 de maio. 

Em 17 de dezembro de 1981, ocorreu a Assembleia Geral de fundação do Estatuto da Associação dos Docentes da SESEB - ADOS, embrião do sindicato que existe hoje. Docente da Uneb a partir de 1997, Clovis Ramaiana localiza a história da ADUNEB em dois momentos distintos: antes e depois da greve do ano 2000. Segundo o professor, até o final da década de 90 a Uneb era administrada por meio de um intenso autoritarismo, que imponha suas ações sobre uma categoria que, embora tentasse lutar, sofria devido à desmobilização. Sem discussões preliminares os atos administrativos dos reitores eram realizados ad referendum. De acordo com Ramaiana, devido à desarticulação, os docentes pagavam alto preço, a exemplo dos baixíssimos salários. Naquele período, o professor Clovis, que era docente auxiliar, tinha uma remuneração inferior ao valor de uma bolsa de mestrado.
 
Por meio de uma fala envolvida de orgulho, Ramaiana afirmou que a maior conquista do MD, no período em que lutou ativamente, foi a construção do plano de carreira das Universidades Estaduais da Bahia, algo que até hoje é considerado referência nacional. Relembrando os fatos históricos o professor comenta sobre outro legado da luta dos docentes: “O que me toca muito atualmente é ver os professores andando pela Uneb de cabeça em pé, com orgulho de pertencer a essa universidade, sem ter que se sujeitar ao autoritarismo da Reitoria. Essa mudança é fruto da luta”, declarou o professor, que encerrou sua participação manifestando o afeto que nutri pela Universidade do Estado da Bahia. “Posso estar onde eu estiver, a Uneb está tatuada na minha alma!”, disse o professor.
 
Docente da Uneb de 1994 a 2010, Carlos Zacarias, detalhou as seis greves acontecidas enquanto era professor da casa. De acordo com o docente, as experiências de greve foram fundamentais para que se pudesse arrancar do governo respeito, salários e plano de carreira. Nada foi dado, todas as conquistas foram frutos de muita luta, coragem e mobilização. Zacarias também compreende o movimento paredista de 2000 como um marco na ADUNEB. “Fomos a primeira categoria a fazer greve no período Carlista, também fomos os primeiros a ocupar a avenida e paralisar o centro financeiro de Salvador: a região do Iguatemi. Após a saída da greve, o saldo que aparentemente era de derrota, pois não ocorreram conquistas imediatas e os salários foram cortados, no ano seguinte, se transformou em vitória. Devido à força demonstrada durante a radicalização e a união da categoria que permaneceu, em 2001, o MD teve um aumento salarial substancial, maior do que todas as outras categorias estaduais de servidores públicos; e também pôde iniciar as discussões sobre a estruturação do plano de carreira, que só foi finalizado após a greve de 2002.  
 
O historiador Zacarias também relembra que já naquele período a diretoria do sindicato sentia a necessidade de fortalecer e ampliar a luta para além das pautas internas da universidade. “A ADUNEB rompeu os muros da instituição de ensino. Iniciamos a construção da unidade com sindicatos, movimentos sociais, estudantes e outras organizações políticas. O objetivo maior já era a ampliação da luta em defesa da classe trabalhadora” explicou o docente. A unidade de luta dos trabalhadores é um dos princípios norteadores da ADUNEB até os dias atuais.
 
Durante a atividade, o sindicato homenageou professores com a apresentação um vídeo (veja aqui) que produziu, em homenagem ao Movimento Docente da Uneb, sobre a história, suas conquistas e desafios da categoria docente. A íntegra da mesa redonda será disponibilizada no canal Youtube, com ampla divulgação, já na próxima semana para o fácil acesso de todos/as.  
 
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