Cobertura completa do II Congresso da ADUNEB

Com cerca de 50 delegados, 5 observadores e 8 entidades convidadas, aconteceu nos dias 6, 7 e 8 de agosto o II Congresso da ADUNEB

Por Assessoria ADUNEB · Publicado em
Especial II Congresso da ADUNEB


                                                    
O II Congresso da ADUNEB aconteceu nos dias 6, 7 e 8 de agosto na UNEB, campusI, com o tema central “Precarização do Trabalho Docente na UNEB”. Com cerca de 50 delegados, 5 observadores e 8 entidades convidadas, o Congresso foi um espaço rico de discussão, reflexão e encaminhamentos sobre a conjuntura atual e os desafios do movimento docente. Confira abaixo a cobertura completa do II Congresso da ADUNEB.
 
Abertura do II Congresso da ADUNEB destaca desafios à categoria docente


                                                      Raíza Rocha

Na plenária de abertura, o diretor de organização e administração da ADUNEB, Carlos Zacarias, falou do importante cenário político em que o II Congresso ocorreu. “Vivemos uma crise econômica mundial que, infelizmente, segue se aprofundando. Por outro lado, trabalhadores em todo o mundo resistem aos efeitos da crise com mobilizações e ações radicalizadas”, afirmou Zacarias.

Segundo o diretor, na Bahia, com a desculpa da crise, centenas de trabalhadores foram demitidos e o contingenciamento de verbas nos serviços públicos tem significado uma maior precarização do trabalho dos servidores.

O SINTEST, ADUSB, ADUFS, ADUSC, ANDES Regional Nordeste III, DCE-UNEB, Instituto latino-americano de Estudos Socioeconômico (ILAESE) e a CONLUTAS-BA estiverem presentes na abertura do Congresso e saudaram o evento.
 
Mesa Redonda discute os impactos da crise econômica na Educação


                                                    Raíza Rocha

No primeiro dia do II Congresso da ADUNEB, a crise econômica mundial foi tema de discussão da Mesa Redonda "A crise econômica capitalista e os desafios da Universidade Pública no Brasil hoje", com a presença de Hélio Cabral, diretor do ANDES-SN, e Francisco Miraglia, da ADUSP. A CODES também foi convidada a compor a mesa, mas não enviou nenhum representante.

“Quem deve pagar a conta da crise?”, perguntou Hélio Cabral aos delegados. Segundo Cabral, uma crise construída pelo próprio capitalismo não deve ser paga pelos trabalhadores como tem sido até agora, através das demissões, dos cortes nos orçamentos e no desvio de dinheiro público para salvar bancos e empresas.

Para o diretor da ADUSP, Francisco Miraglia, as crises do capitalismo são inerentes à sua natureza, e para superá-las o capitalismo aumenta a exploração sobre os trabalhadores. “O capitalismo socializa as perdas e privatiza o lucro. No entanto, à medida que aumenta a exploração, aumenta também a resistência dos trabalhadores” complementa.
 
Segundo Miraglia, os trabalhadores precisam se organizar e resistir “bravamente aos ataques dos governos e dos patrões”.  Hélio Cabral, por sua vez, reafirma: “Temos que resistir para não pagar ainda mais por essa crise que não é nossa!”.
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9 teses foram apresentadas para discussão no Congresso


Raíza Rocha
Ainda no primeiro dia, após a votação do regimento do Congresso, iniciou a discussão das Teses. Foram 9 contribuições apresentadas sobre os diversos temas abordados no congresso, como análise de conjuntura, autonomia e financiamento, Programas Especiais, precarização do trabalho, regimento da entidade e movimento docente.

A extinção do Conselho de Departamento, a política de vinculação de recursos e financiamento da educação superior, a revogação dos decretos de contingenciamento, a questão das passagens e o debate contra as opressões e da importância de políticas específicas para as mulheres, negros e homossexuais foram alguns dos temas trazidos pelas Teses.

A discussão que se iniciou após a apresentação das Teses pelos autores teve sua continuidade nos grupos de discussão no dia seguinte. “O objetivo dos grupos de discussão é aprofundar o debate, iniciado no primeiro dia, sobre os temas do congresso e encaminhar resoluções para serem deliberadas na plenária final”, afirma Nora de Cássia, membro da comissão organizadora do evento.

Para Lucia Leiro, delegada do II Congresso, as discussões nos grupos foram bastante produtivas. “Tenho certeza que no final do congresso conseguiremos apresentar, de uma forma bastante reflexiva, resoluções importantes para o movimento”, afirma Lucia.

Plenária Final delibera os rumos do movimento docente da ADUNEB para os próximos 2 anos.


Raíza Rocha

O último dia do Congresso, 8 de agosto, foi o momento de deliberar sobre os rumos do movimento docente, suas bandeiras de luta e as principais reivindicações para os próximos 2 anos, prazo para a realização do próximo Congresso.

Cerca de 30 delegados decidiram continuar a luta pela revogação da Lei 7176/97 e rejeitar as atuais propostas substitutivas apresentadas pelo governo. No entendimento da plenária, as propostas substitutivas são piores que a 7176 e representam um ataque frontal à autonomia administrativa e de gestão financeira, com repercussões na autonomia didática e científica das UEBA.

A luta pela extinção do Conselho de Departamento no Estatuto e Regimento Geral da UNEB e a reedição da plenária departamental como espaço deliberativo será mais uma das bandeiras encampadas pela próxima diretoria.

Sobre a questão das passagens, o Congresso deliberou lutar pela institucionalização no Estatuto da UNEB da garantia integral do deslocamento dos professores para o exercício docente.

Foi aprovada, ainda, a composição da diretoria executiva por sete membros, com a criação da Diretoria de Gênero, Etnia e Diversidade. As Diretorias de Subseções regionais foram extintas e em substituição foi instituído, para a próxima eleição, Diretores de Organização e Administração Departamentais.

Sobre os Programas Especiais, o congresso deliberou lutar pela imediata suspensão da oferta de novas turmas e assinatura de novos convênios de programas especiais até que este tema seja debatido pela comunidade acadêmica. Além disso, o movimento docente da ADUNEB deverá lutar por uma auditoria pública, independente da administração superior, para avaliar as contas dos Programas Especiais e dos cursos de especialização pagos, garantindo-se a ampla divulgação dos resultados e a punição dos responsáveis por eventuais desvios.

O II Congresso da ADUNEB reafirmou, ainda, a luta contra a expansão desordenada da UNEB e os programas de Educação à Distância; pelo fortalecimento do Fórum das ADs, do ANDES e da Conlutas e a continuidade da luta pelo respeito e garantia dos direitos trabalhistas dos docentes.

Noites culturais embalaram os delegados do II Congresso da ADUNEB


                                                     Raíza Rocha

Após as discussões durante todo o dia, à noite os delegados curtiram as programações culturais do Congresso.
No dia 6 de agosto, o grupo de Teatro “Os poetas da praça” recitaram poesias para os delegados, que depois curtiram MPB ao som de Cristiano Leão.
Na noite de sexta, um forrozinho ao vivo com Dinho e sua banda, “recheado” com Caruru, embalou o fim do dia dos delegados.


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