MML lança campanha nacional contra a violência à mulher
25 de novembro: MML lança campanha nacional contra a violência à mulher com atos nos estados

Hoje, 25 de novembro é o dia latino-americano e caribenho pelo Fim da Violência contra a Mulher. Esta data, marcada por atos simultâneos em 130 países, tem o objetivo de incentivar a promoção de ações que estimulem um maior compromisso social por parte da sociedade e dos governos para prevenir, punir e erradicar a violência contra as mulheres e meninas de todo o mundo, seja essa violência de origem doméstica, – a mais visível – ou até mesmo a violência promovida a partir das políticas do próprio estado. Também neste dia o Movimento Mulheres em Luta lança nas ruas a campanha nacional contra a violência às mulheres.
Haverá atos nas cidades de São Paulo, São José dos Campos, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, São Luís, Curitiba, Aracaju e Belo Horizonte também farão atos e atividades do dia de luta contra a violência às mulheres.
Em BH, o dia será marcado por um ato público na Praça Sete, a partir das 17h. A manifestação está sendo construída de forma ampla por diversas entidades e movimento sociais que reivindicam o direito das mulheres, como o Movimento Mulheres em Luta, Marcha das Vadias-BH, Negras Ativas, Movimento Pão e Rosas, Coletivo Frida Kahlo, Rede Feminista de Saúde, LER-QI, ANEL, Instituto Helena Greco de Direitos Humanos, Quilombo Raça e Classe e a Central Sindical e Popular Conlutas.
De acordo com o Movimento Mulheres em Luta (MML), somente no ano de 2012, mais de 50 mil mulheres morreram vítimas da violência sexual. Por isso, nessa campanha o MML vai exigir “abaixo a Bolsa Estupro”. Esse projeto, que está em discussão no Congresso Nacional, prevê que a mulher estuprada abra mão do seu direito legal de interromper a gravidez resultante do ato de violência a que foi submetida. Prevê também que o estuprador tenha o nome na certidão de nascimento, como pai da criança, e a mulher receberia uma bolsa por isso. Um verdadeiro absurdo!
O MML informa que na última década, mais de 45 mil mulheres foram mortas. Uma, em cada 5 brasileiras já sofreu violência doméstica e em mais de 80% dos casos, os agressores foram seus próprios parceiros. De 2006 para cá, ano em que a Lei foi aprovada, os governos não viabilizaram sua implementação. Há poucas casas abrigo, delegacias de mulheres especializadas, e juizados e varas especializados, tudo o que estava previsto na Lei. Por isso, essas mulheres também vão às ruas exigir a implementação e ampliação da Lei Maria da Penha.
Porque ainda lutar por isso
No Brasil, a escalada de violência contra as mulheres cresce a cada dia. A última pesquisa mais importante sobre a violência, publicada em 2010 e cujo estudo foi feito a partir da análise de 10 anos de dados do SUS, revelou uma terrível realidade: a cada duas horas uma mulher é assassinada em nosso país, por motivos fúteis ou torpes. E a cada quatro minutos, estima-se que uma mulher é vítima de algum tipo de agressão física.
Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), das mulheres assassinadas entre 2009 e 2011, 54% eram jovens (de 20 à 39 anos) e 61% eram negras, que são também as mais afetadas pelo desemprego e baixa renda. Além disso, as denúncias de estupro cresceram 157% nos últimos 4 anos, e seu número superou o de homicídios dolosos em 2012 (Anuário Brasileiro de Segurança Pública). Em nosso estado, a média de agressões é quase o dobro do que em SP e RJ. E BH tem a maior taxa de agressões machistas da região sudeste, com cerca de 25 agressões todos os dias, e a cada 5 uma é assassinada (Mapa da violência 2012).
Outra questão importante é violência institucionalizada pela falta de investimento em políticas para moradia e reforma agrária, já que as maioria da população nessa situação é composta por mulheres, grande parte delas mães e solteiras, responsáveis pelos cuidados da família e educação dos filhos, o que às fazem sofrer ainda mais com a falta de investimento na saúde e educação.
A origem da data
Criada em 1981, no Primeiro Encontro Feminista Latino-americano e Caribenho, na Colômbia, a data é uma homenagem às irmãs Mirabal – Patria, Minerna e Maria Tereza, cruelmente assassinadas em 1960, pelo então ditador da República Dominicana Rafael Trujillo.
As irmãs formaram um grupo de oposição ao regime de Trujillo, após perderem a casa e tudo que possuíam, devido às políticas do ditador, e se tornaram conhecidas como “Las Mariposas”. As irmãs eram muito queridas no país, o que levou a uma grande reação do estado, que encomendou a morte das “Mariposas”. O assassinato causou grande comoção na República Dominicana. Esta reação contribuiu no despertar da consciência do povo, e culminou no assassinato do ditador em 1961.
Mais tarde, em 1999 o fato histórico foi reconhecido pela ONU, quando em Assembleia Geral declarou que o dia 25 de novembro passaria a ser o dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, em homenagem às irmãs Mirabal.
Com informações do MML Nacional e MML Minas Gerais

