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ADUNEB-Mail Especial – II Encontro Nacional de Educação
Marcha pela educação pública leva 3 mil às ruas de Brasília
A Esplanada dos Ministérios foi ocupada por mais de 3 mil manifestantes, em Brasília, na quinta-feira (16). A “Marcha pela Educação Pública” levou às ruas da capital federal militantes da educação de todos os cantos do país. A atividade marcou a abertura do II Encontro Nacional de Educação (ENE), que aconteceu até sábado (18). O protesto mostrou a força e a disposição de luta dos movimentos sindicais, estudantis, sociais, populares, e outras organizações políticas em defesa da educação pública e gratuita. A caravana baiana, composta por quatro ônibus, contou com a participação de representantes da ADUNEB, Fórum das ADs, Ufba, ANDES-SN Regional Nordeste III, CSP-Conlutas BA, entre outras. A marcha ainda fez parte do Dia Nacional de Luta em defesa da Educação Pública, gratuita, socialmente referenciada, classista e democrática. O ENE é organizado pelo Comitê Nacional "em Defesa 10% do PIB para a Educação Pública, já!”.
Para a diretoria da ADUNEB, o ENE cumpre o papel fundamental de conseguir congregar pessoas preocupadas com a forma e o que será discutido sobre o futuro da educação do Brasil. Representa também um espaço de debate, de elaboração, de reflexão, de unidade para a ação, de fortalecimento dos sujeitos coletivos e de combate a todas as tentativas de retiradas de direitos dos trabalhadores. De acordo com os professores do sindicato, estar em espaços como o ENE é fundamental, pois cabem aos movimentos sociais, sindicatos, de todas as organizações da sociedade civil fortalecerem suas bases com informações para a reflexão e ação.
Durante a marcha, na quinta-feira, nas palavras de ordem, faixas, camisas, panfletos e discursos das representações foi constante a indignação do descaso com a educação pública por parte dos governos estaduais e federal. Além das questões relacionadas à educação, os manifestantes também protestaram contra os ajustes fiscais e reformas que tem efetivado duros ataques aos direitos trabalhistas historicamente conquistados pela classe trabalhadora. A disposição do conjunto das organizações é pela construção da unidade de luta e da Greve Geral.

Protesto em marcha pelos ministérios
Não ao PL 257/16
Uma das principais reivindicações das centenas de servidores públicos estaduais e federais presentes na marcha foi a retirada do Projeto de Lei (PL) 257/16 da pauta de discussões do Congresso Nacional. O PL 257/16 faz parte do pacote de ajuste fiscal iniciado pelo governo federal, no final de 2014. As medidas, que buscam manter o pagamento de juros e amortizações da dívida ao sistema financeiro e aumentar a arrecadação da União, atingem diretamente o serviço público e programas sociais.
A suspensão dos concursos públicos, congelamento de salários, não pagamento de progressões e outras vantagens (como gratificações), destruição da previdência social e revisão dos Regimes Jurídicos dos Servidores estão entre as medidas que constam do PL 257.

Diretores da ADUNEB marcam presença na marcha
Fora Temer
Pelas ruas de Brasília os milhares de manifestantes também exigiam o Fora Temer. Por meio de faixas e falas, a multidão expressou o descontentamento com a política reacionário do presidente interino do país, Michel Temer. Leia aqui o posicionamento da ADUNEB sobre o governo Michel Temer.
Solicitação de audiência
Como símbolo da expressão da indignação de todos os setores da educação pública, da básica ao terceiro grau, os representantes das entidades presentes no ato, no encerramento da marcha em frente ao Ministério da Educação (MEC), entregaram uma carta de reivindicações e solicitaram uma audiência com o ministro interino Mendonça Filho. Os representantes do Comitê conversaram, na frente do MEC, com o subsecretário de assuntos administrativos do Ministério, Leonel Cunha, e pela assessora especial do Ministro Moreira Filho, Nadia Ferreira. Ao todo o documento foi assinado por 15 entidades.

Professores entregam documento e pressionam MEC por audiência
Projeto de educação voltado à classe trabalhadora é discutido no ENE
A mesa de abertura do II Encontro Nacional de Educação (ENE) aconteceu na manhã da sexta-feira (17), no Centro Comunitário da Universidade de Brasília. Com o tema “Por um projeto classista e democrático de educação, contra o ajuste fiscal e a dívida pública”, a atividade reuniu quase 2 mil participantes.
Primeiro a falar, o estudante chileno José Villarroel, representante do Centro de Estudantes de Sociologia da Universidade Alberto Hurtado, trouxe para o debate a experiência de seu país, desde o período militar, de Augusto Pinochet, de 1973 a 1990, até a intensificação de um projeto neoliberal dos dias atuais. De acordo com Villarroel, a partir da ditadura todos os planos do neoliberalismo foram implementados no país, tornando-se um laboratório para a expansão do capital na América Latina. Ao trazer a discussão para o atual momento, o estudante, traçou um paralelo de semelhanças entre Brasil e Chile. Para ele alguns pontos em comum são o processo de reorganização da esquerda, a criminalização dos movimentos estudantis e sociais imposto pelos governos, a corrupção na gestão pública, e o governo voltado aos interesses do empresariado. Na luta contra a privatização da educação, uma grande quantidade de escolas e universidades estão ocupadas pelos estudantes chilenos, que exigem a educação gratuita. Como resistência ao atual momento, tanto no Brasil quanto no Chile, o palestrante defendeu a unidade de luta entre estudantes, movimentos sindicais e sociais.
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Mesa de abertura do II ENE
Representante da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas, Mauro Puerro, demonstrou como o ajuste fiscal e a dívida pública impactam a educação e outros setores sociais do país. Para Puerro, o atual ajuste fiscal, com a imposição do corte de verbas e a precarização do trabalho atacam diretamente os setores mais vulneráveis da sociedade, a exemplo das comunidades negras, de mulheres, periféricas, LGBT, entre outras. O sindicalista afirmou que 47% do orçamento nacional é destinado ao pagamento da dívida pública brasileira, recursos que deixam de ser destinados à educação, saúde, segurança e são repassados aos fundos de investimento e organizações bancárias. Com a alegação do ajuste fiscal, no ano passado, o governo Dilma Rousseff cortou 70 bilhões das áreas sociais. De acordo com dados da Auditoria Cidadã da Dívida Pública, desse valor, cerca de 26 bilhões foram da educação. Mauro Puerro, comentou ainda sobre o perigo que representa a aprovação do PL 257/16 ao conjunto do funcionalismo público (leia mais). Antes de finalizar, Puerro ressaltou a intensificação dos ataques no governo interino de Michel Temer. “Temos que nos levantar contra o conjunto de leis que impactam a classe trabalhadora, que retira dos pobres e entrega aos ricos”, comentou. Para encerrar, defendeu a união das centrais sindicais e a construção da greve geral.
A diretora do ANDES-SN, Olgaíses Maués, fez uma análise de conjuntura sobre o atual cenário da educação brasileira e qual a educação que desejamos. Para a docente, o II ENE acontece em meio a uma profunda crise política, ética e moral brasileira, com mais de 10% de inflação ao mês. Para intensificar a crise o presidente interino Michel Temer assume e compõe um governo em que quase 70% de seu ministério é acusado de algum tipo de corrupção. A professora citou o projeto Escola Sem Partido como um programa nefasto, empregado pelos setores conservadores da política brasileira, que tentam impor a ideologia dominante proibindo nas escolas que os professores façam discussões relativas à política, gênero, questões raciais etc. A ideia é a educação a favor do capital. Sobre um novo projeto de educação a ser construído, a representante do ANDES-SN afirmou que o objetivo é a construção de uma educação que auxilie a pensar e não a obedecer, que acredite em uma proposta que pensa na educação para além do capital. Olgaíses Maués vê as discussões que surgirão no II ENE, a partir dos eixos de discussão dos grupos de trabalho, como um alicerce para um novo projeto educacional.

Público lotou a mesa de abertura do evento
Após as falas dos integrantes da mesa, aconteceu o debate com a participação da plenária. No período da tarde ocorreram as reuniões dos grupos de trabalho, que debateram os eixos temáticos: gestão; financiamento; avaliação; trabalho e formação dos trabalhadores da educação; acesso à permanência; gênero; sexualidade; orientação sexual e questões étnico-raciais.
Homenagem
Antes da mesa de abertura o ANDES-SN realizou uma homenagem ao companheiro de lutas, professor Márcio Antonio de Oliveira, que faleceu no último da 13.06. O docente era um dos diretores eleitos para dirigir o Sindicato Nacional no mandato 2016 / 2018. Querido por todas/os do Movimento Docente, professor Márcio era um incansável militante da educação, um defensor do ensino público, gratuito, laico, de qualidade e socialmente referenciado. Ele foi presidente do ANDES-SN entre 1992/1994, secretário-geral de 1986/1988 e 2010/2012 e 2012/2014.

Presidente do ANDES-SN Paulo Rizzo homenageia prof. Márcio de Oliveira
II ENE discute a construção de projeto educacional contra hegemônico
Os períodos da tarde e noite da sexta-feira (17), do II Encontro Nacional de Educação (ENE), foram reservados para as discussões dos grupos de trabalhos. A atividade complementou o dia, que teve pela manhã a mesa de abertura com o tema “Por um projeto classista e democrático de educação, contra o ajuste fiscal e a dívida pública”.
Divididos em 33 grupos de trabalho, os quase 2 mil participantes do II ENE discutiram os eixos temáticos: gestão; financiamento; avaliação; trabalho e formação dos trabalhadores da educação; acesso à permanência; gênero; sexualidade; orientação sexual e questões étnico-raciais.
Entre os objetivos dos debates estavam o aprofundamento da crítica ao caráter privatista do Plano Nacional de Educação (PNE); os ataques dos governos estaduais e federal ao ensino público e gratuito; além do debate sobre qual a educação pública que deve ser construída em contraponto à atual política educacional.
Os temas dos GTs foram pensados pelo Comitê Nacional "em Defesa 10% do PIB para a Educação Pública, já!” para que as discussões ofereçam sustentação para um projeto educacional com base na expansão humana, de caráter contra hegemônico, para além do capital, e realmente voltado aos interesses da classe trabalhadora.
O ENE seguiu até o sábado (18), com a apresentação de painéis temáticos pela manhã e a plenária final, no período da tarde, que trouxe uma síntese das discussões dos GTs. O Comitê Nacional "em Defesa 10% do PIB para a Educação Pública, já!” é composto, entre outras, pelas entidades ANDES-SN, CSP-Conlutas, Sinasefe, Fasubra, entre outras.
Foto: Comunicação ENE
Foto: Comunicação ENE

Debate em um dos GTs
Painel do II ENE aborda relação entre dívida pública e ataques aos direitos sociais
Centenas de participantes do II Encontro Nacional de Educação se reuniram na manhã de sábado (18), para o painel temático organizado pelo ANDES-SN “O sistema da dívida pública e o financiamento da Educação” com Maria Lúcia Fattorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida. A palestrante, que foi ovacionada ao final de sua explanação, fez um panorama da dívida pública externa, interna, da União e dos estados, e explicou a relação entre o sistema da dívida, o ajuste fiscal e a retirada de direitos sociais.
Maria Lúcia citou como exemplos, mais recentes e devastadores deste esquema da dívida pública, o Projeto de Lei Complementar 257/16, encaminhado do Congresso pelo governo federal no início do ano, que prevê o congelamento de salários, suspensão de concursos públicos, cortes nos gastos públicos, entre outros ataques, e a Proposta de Emenda Constitucional 241/16, anunciada nessa semana pelo governo interino, que prevê o congelamento do orçamento da União por 20 anos. “O esquema da dívida é o mesmo no mundo todo. Se gera uma dívida de forma ilegal, aplica-se juros para fazer essa dívida crescer de forma absurda, e depois cria-se o aparato legal para justificar a retirada de direitos sociais, em nome do pagamento de juros e amortizações da dívida”, destacou.
“Quem tinha dúvida que o ajuste fiscal era para pagar dívida pública, depois do PLP 257 isso ficou explícito. O próprio texto de justificativa do projeto diz que a finalidade da proposta é assegurar a manutenção do sistema financeiro, retomar o crescimento econômico e assegurar a sustentabilidade da dívida. Isso está escrito no PLP que traz danos ao serviço público, acaba com direitos dos servidores e da população que depende desses serviços”, denunciou.
Fattorelli ressaltou ainda que o PLP 257 traz um artigo que transforma a União em seguradora internacional de investimentos. “Ora, se não tem recursos, se estamos em crise, de onde vem o dinheiro para garantir investimentos? Com recursos do orçamento, da educação e da saúde, e com a emissão de novos títulos da dívida pública”, ressaltou.

Plenária atenta à palestra
No entanto, Maria Lúcia alertou que, apesar do PLP 257 ser uma legislação que arrocha os direitos sociais para pagar a dívida, os ataques neles contidos se apequenam diante do que está previsto na PEC 241/16, considerado pela representante da Auditoria Cidadã da Dívida “um tiro de morte nos direitos sociais”.
“Essa PEC congela por 20 anos o orçamento, e se houver crescimento econômico, não há possibilidade de revisão do congelamento. A proposta vai colocar na Constituição tudo aquilo que a gente hoje denuncia como inconstitucional: os ataques à saúde, educação e aos nossos direitos sociais. E isso está sendo feito com a justificativa de que o ajuste vai possibilitar destinar recursos para quitar a dívida. Ou a gente desmascara essa dívida ou estamos condenados constitucionalmente por, no mínimo, duas décadas. Isso é gravíssimo”, denunciou.
A palestrante ressaltou que a única forma de reverter cenário é a construção de uma mobilização social consciente, que enfrente o esquema financeiro criado para justificar os ataques aos trabalhadores e a transferência de recursos públicos e riquezas naturais aos bancos e empresas privadas. Ela reforçou a necessidade de unidade em torno da bandeira da auditoria cidadã da dívida.
“Temos que parar de apenas repudiar esses ataques e partir para o enfrentamento. Denunciar o que está por trás disso. Precisamos ter ações efetivas, temos que demonstrar essas ilegalidades e a ferramenta para isso é a auditoria da dívida com participação da sociedade, que vai possibilitar comprovar que essa dívida é ilegal, imoral e precisa ser anulada. Diante de uma massa consciente e denunciando a farsa da dívida e o roubo das nossas riquezas, quero ver quem resiste”, destacou.
Após a fala, foram abertas inscrições para os participantes, que colocaram dúvidas, as realidades nos seus estados, e os ataques sofridos nos estados, por conta da política de corte de orçamento, desmonte das políticas públicas e arrocho salarial.

Maria Lúcia Fattorelli e a diretora do ANDES-SN Marinalva Oliveira
Auditoria nos estados
Ao final da palestra, Maria Lúcia convidou todos os participantes a se envolverem no debate e organizarem em seus estados e municípios, núcleos locais da Auditoria Cidadã da Dívida para fortalecer e viralizar a luta contra a dívida pública. Atualmente, já existem núcleos no Distrito Federal e nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Piauí e, em formação, no Maranhão e Amazonas.
“A organização de núcleos locais da Auditoria Cidadã da Dívida tem o objetivo de auxiliar na divulgação dos estudos e publicações da Auditoria Cidadã da Dívida, além de avançar nas investigações da dívida pública local – do estado e/ou município – a fim de popularizar o debate sobre o endividamento público e a compreensão sobre o funcionamento do Sistema da Dívida”, concluiu.
Confira aqui a proposta de metodologia de criação dos Núcleos da Auditoria Cidadã da Dívida.
Confira aqui a proposta de metodologia de criação dos Núcleos da Auditoria Cidadã da Dívida.
Fonte: ANDES-SN
Painel no II ENE debateu ações contra o Projeto “Escola Sem Partido”
A Direção Nacional (DN) do SINASEFE coordenou, na manhã do sábado (18), o painel temático sobre a construção de uma Frente Alternativa contra o Projeto “Escola Sem Partido”. O painel fez parte da programação do terceiro e último dia do II Encontro Nacional de Educação.
No espaço, os diretores Fabiano Faria (coordenador geral) e Ronaldo Naziazeno (secretário da pasta de políticas educacionais) fizeram a apresentação do PL 867/2015, referente ao "Escola Sem Partido", além da facilitação/coordenação do debate, que contou com cerca de 100 participantes (das bases do SINASEFE e também de outras bases).
Foi exposto que, além dos ataques de asfixia financeira à Educação Pública, com os cortes de verbas, estamos numa conjuntura onde setores conservadores “saem do armário” e apresentam projetos extremamente retrógrados. O “Escola Sem Partido”, vinculado a uma espécie de movimento virtual que serviu de esteio para outras aberrações como o “Escola Sem Gênero”, é um deles. E tem seu texto e diretrizes copiadas para Projetos de Lei de âmbito municipal e estadual, como o que foi recentemente aprovado e sancionado pela Assembleia Legislativa de Alagoas – o que nos exige uma frente de combate nos âmbitos municipal, estadual e nacional.
Dentre os absurdos colocados como possíveis deveres dos professores no material do “Escola Sem Partido” estão que:
“Ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade –, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.”; e que “O professor deverá abster-se de introduzir, em disciplina obrigatória, conteúdos que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos estudantes ou de seus pais.”
No site do Projeto é possível, ainda, aprender como encontrar um doutrinador em sala de aula: “Você pode estar sendo vítima de doutrinação ideológica quando seu professor:
- se desvia frequentemente da matéria objeto da disciplina para assuntos relacionados ao noticiário político ou internacional;
- exibe aos alunos obras de arte de conteúdo político-ideológico, submetendo-as à discussão em sala de aula, sem fornecer os instrumentos necessários à descompactação da mensagem veiculada e sem dar tempo aos alunos para refletir sobre o seu conteúdo;
- alicia alunos para participar de manifestações, atos públicos, passeatas etc;
- utiliza-se da função para propagar ideias e juízos de valor incompatíveis com os sentimentos morais e religiosos dos alunos, constrangendo-os por não partilharem das mesmas ideias e juízos.”
A infração ao professor doutrinador é, no corpo do PL, um crime de responsabilidade:
“Art. 6º Professores, estudantes e pais ou responsáveis serão informados e educados sobre os limites éticos e jurídicos da atividade docente, especialmente no que tange aos princípios referidos no art. 1º desta Lei.
Art. 7º As secretarias de educação contarão com um canal de comunicação destinado ao recebimento de reclamações relacionadas ao descumprimento desta Lei, assegurado o anonimato.
Parágrafo único As reclamações referidas no caput deste artigo deverão ser encaminhadas ao órgão do Ministério Público incumbido da defesa dos interesses da criança e do adolescente, sob pena de responsabilidade.”
E O QUE SIGNIFICA CRIME DE RESPONSABILIDADE?
Crime de responsabilidade – que está na pauta diária dos jornais com o procedimento de impeachment da Presidenta Dilma – é o que os juristas chamam de ilícito político e administrativo. Ou seja, ele não leva ninguém à prisão porque não é uma condenação criminal. Suas consequências são a perda do cargo e a impossibilidade de ocupar cargo público por um período de tempo através de um processo de impedimento.
O SINASEFE NACIONAL organizará, em breve, um relatório com as ações propostas pelo painel (a principal delas foi o ingresso de Ações Diretas de Inconstitucionalidade – ADI – no STF) para consolidação da frente de entidades da sociedade civil – aprovada por aclamação pelos participantes do painel – para combate ao “Escola Sem Partido” e à censura que o mesmo promove à difusão de qualquer pensamento crítico e contra hegemônico.
Fonte: Sinasefe
Foto: Sinasefe
Foto: Sinasefe

Mesa que coordenou as discussões
II ENE encerra com leitura de Declaração Política
O II Encontro Nacional de Educação (ENE) terminou no sábado (18) com a realização de uma plenária final, na qual foi lida a Declaração Política – que sistematizou, de maneira unitária e consensual, as propostas e bandeiras debatidas durante o encontro nacional e os encontros preparatórios. O II ENE foi realizado na Universidade de Brasília (UnB) de 16 a 18 de junho e reuniu quase dois mil participantes, de maneira praticamente proporcional entre estudantes, docentes, trabalhadores da educação, assistentes sociais e movimentos populares.
A declaração traz uma breve introdução, na qual avalia a conjuntura de aprofundamento dos ataques do capital aos direitos dos trabalhadores, e ressalta o crescimento da resistência dos oprimidos, que protagonizam greves, lutas e ocupações no Brasil e no mundo. Também dedica o II ENE a Márcio Antônio de Oliveira, ex-presidente do ANDES-SN, que faleceu na segunda-feira (13). Em seguida, a declaração foi dividida nos seis eixos que nortearam as discussões do ENE.

Mesa de encerramento composta pelas diversas representações de entidades que
lutam pela educação pública e gratuita
Avaliação
Em relação à avaliação, foi ressaltado o caráter punitivo, gerencialista e meritocrata do atual sistema avaliativo da educação brasileira. Em contraposição, foi apontada a necessidade de aprofundar a autonomia das instituições de ensino, construindo um processo de avaliação diagnóstico, democrático e que possibilite o avanço da educação com qualidade.
Trabalho e formação dos trabalhadores da educação
No eixo de trabalho e formação dos trabalhadores da educação foi defendida a educação pública, gratuita, laica e de qualidade, assim como a importância da unidade e articulação entre os trabalhadores da educação. Também foi defendida a incorporação de movimentos sociais como atores centrais na formulação do trabalho educativo. Foi ressaltado, também, o repúdio ao Projeto Escola sem Partido, à precarização do trabalho e à Educação à Distância (EAD).
Acesso e permanência
Quanto ao acesso e permanência, foi constatado que as políticas de assistência estudantil se resumem ao Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), que não é política de estado e se limita a estudantes de ensino superior. Entre as demandas levantadas estão: moradias estudantis, creches, passe livre, inclusão de pessoas com deficiência, universalização do ensino e o fim do vestibular.
Gestão
Já os debates sobre o eixo de gestão culminaram na análise de que é necessário avançar no que toca à autonomia e democracia nas instituições de ensino, com paridade na participação de conselhos, eleições democráticas para reitorias e diretorias de escola. Ressaltou-se, ainda, o caráter antidemocrático e privatista da imposição da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) como gestora dos Hospitais Universitários Federais.
Gênero, sexualidade, orientação sexual e questões étnico-raciais
No eixo de gênero, sexualidade, orientação sexual e questões étnico-raciais, os debates apontaram para a necessidade de reconhecimento das demandas de negros e negras, mulheres, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, pessoas com deficiência e LGBTs nos espaços da educação. A transversalidade das pautas de combate às opressões ficou explícita com a presença de tais demandas em cada um dos eixos do II ENE. Foram apontadas demandas como a defesa das políticas afirmativas de reparação, a defesa do uso do nome social para pessoas trans, assim como o combate ao Projeto Escola Sem Partido.
Financiamento
Em relação ao eixo de financiamento reafirmou a necessidade de investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação pública imediatamente. O ENE repudiou, ainda, a transferência de recursos públicos para a educação privada prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), propondo a extinção dos programas baseados nessa lógica e a incorporação dos estudantes à rede pública de ensino, além da estatização das instituições privadas.
Tarefas
A Declaração Política do II ENE termina apontando tarefas para a construção da luta em defesa da educação pública e gratuita. Os participantes do encontro conclamam a realização de um Dia Nacional de Lutas em Defesa da Educação Pública e Gratuita em 11 de agosto, dia do estudante. Reafirma posição contrária à terceirização, ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 257/2016, à Contrarreforma da Previdência, e ao presidente interino Michel Temer, chamando a construção de uma greve da educação, e também de uma greve geral contra o ajuste fiscal e o PLP 257/16. Também é reafirmado o repúdio ao PNE 2014-2024, de caráter privatista.
Por fim, o II ENE ressalta a importância da manutenção da organização e dos debates de maneira unitária, em nível municipal, estadual e nacional, com vistas a seguir construindo um projeto classista e democrático de educação rumo à terceira edição do encontro, em 2018. Para tal, o “Comitê Nacional da Campanha pelos 10% do PIB para Educação Pública, Já!” muda de nome, passando a ser Coordenação Nacional das Entidades em Defesa da Educação Pública e Gratuita. Terminada a leitura da declaração, a mesa deu por encerrado o II Encontro Nacional de Educação.
Fonte: Comunicação ENE

Confraternização de lutadoras/es da educação no encerramento do ENE
Nota de solidariedade
A ADUNEB manifesta total solidariedade aos professores e companheiros de luta, Edson do Espírito Santo, da Uefs, e Reinaldo Martins, do Ifba, que na tarde da quinta-feira (16), foram covardemente detidos e agredidos pela violenta Polícia Militar do Distrito Federal. Após a realização da Marcha em Defesa da Educação, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, os docentes foram atacados por policiais pelo fato de tentarem defender dois estudantes que haviam sido abordados de maneira violenta pela PM. Acionadas, as assessorias jurídicas do ANDES-SN e do Sinasefe compareceram à delegacia e conseguiram liberar os professores. Já os dois estudantes, devido à acusação de dano ao patrimônio público, foram encaminhados à Polícia Federal e liberados muitas horas depois. A ADUNEB repudia o autoritarismo e a violência da PM do Distrito Federal, que demonstrou despreparo ao agredir professores e estudantes que estavam em luta pela educação pública.
Diretoria Executiva ADUNEB

