ADUNEB-Mail 2013 – Edição 500 (16/12/13)

Comunidade acadêmica protesta contra crise financeira das Ueba

Reitores fazem dura crítica ao governo Jaques Wagner
 
A Uneb e as demais Universidades Estaduais da Bahia (Ueba) fizeram paralisação com portões fechados, em 11.12, quarta-feira. O protesto foi o terceiro deste trimestre e denunciou a crise financeira e o desrespeito do governo Jaques Wagner com a Educação Pública Superior da Bahia (leia mais). Além da paralisação, professores, técnico-administrativos e estudantes participaram de aula e audiência pública na Assembleia Legislativa (Alba).
 

Mobilização de professores no portão da Uneb - campus I
 
A aula pública, com o tema “Crise da universidade: expansão, precarização e intensificação do trabalho”, foi ministrada pelo professor da ADUNEB e diretor do ANDES-SN, Milton Pinheiro. Após repercutir sobre o caótico cenário de sucateamento em que se encontram as Ueba, Pinheiro criticou o governo estadual, que vira as costas à educação, ao trabalhador, se alia a grandes companhias capitalistas com isenções fiscais e “apoia as empresas que se instalam no estado para sangrar os trabalhadores baianos”, afirmou o diretor do ANDES-SN. 
 

Aula pública, em frente à Alba, abordou a crise financeira das Ueba

 
Reitores criticam governo
 
Na audiência pública, dentre todas as falas que reprovaram a politica educacional do governo Wagner, o destaque ficou para as duras e incisivas criticas feitas pelo Fórum dos Reitores. Representando o posicionamento dos reitores de Uneb, Uefs, Uesb e Uesc, o vice-reitor da Uesb, José Luiz Rech, afirmou que 79% das verbas das Ueba são destinadas a custeio e pessoal, o que demonstra a ausência de investimentos por parte do estado. “Com a falta de estrutura das Ueba, perdem a pesquisa, o desenvolvimento tecnológico e, principalmente, os municípios baianos”, ressaltou o representante do Fórum dos Reitores. Ainda mais incisivo, José Rech disparou: “Estamos carentes e sozinhos. Servimos ao governo apenas para propagandas. Se continuar assim, com certeza, teremos paralisações no próximo ano”. Finalizando o desabafo, o vice-reitor comparou a crise das universidades à atenção destinada â Copa do Mundo: “Se nomearmos as Ueba de Arena Fonte Nova, talvez tenhamos mais recursos”.
 

Audiência pública - reivindicação de 7% da RLI
 
Para a diretoria da ADUNEB, o posicionamento do Fórum dos Reitores evidencia que, até mesmo quem geralmente se posicionava ao lado do governo, não aguenta mais o estrangulamento orçamentário e a precarização. A participação de todos os segmentos da comunidade acadêmica na paralisação de quarta-feira demonstra que a insatisfação é geral, latente e insustentável. No início do próximo ano a luta será maior e mais intensa. Se o governo continuar insensível à crise financeira das Ueba, a Copa do Mundo e as eleições estaduais para governador, certamente, terão como companhia, nas manchetes dos jornais, a greve das Universidades Estaduais Baianas.
 
 
ADUNEB repudia instalação de UPP na universidade

A ADUNEB esteve presente na audiência pública que discutiu a instalação de um posto da Polícia Militar dentro das dependências da Uneb. O terreno pertence à própria instituição de ensino e foi cedido à PM pelo governo do estado, com o pretexto de levar segurança ao bairro da Engomadeira. A atividade, realizada no campus I, em 10.12, também contou com a presença de representantes da CSP-Conlutas e da ANEL – Assembleia Nacional dos Estudantes Livres.
 
Durante a audiência, os moradores da Engomadeira denunciaram a maneira violenta e desrespeitosa como a PM trata os cidadãos que vivem na comunidade. Uma atitude que reforça e legitima na sociedade a criminalização da pobreza e da periferia.
 
A ADUNEB é solidária às reivindicações dos moradores locais e repudia veementemente a instalação do posto policial conhecido como Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). A universidade pública é um espaço livre para a socialização do conhecimento, em que se fomenta a democracia, a liberdade de opiniões e o respeito ao ser humano. Um cenário em que nada combina com o braço repressor, violento e punitivo do estado.
 
A construção da UPP, sem um amplo debate sobre o assunto, tem gerado críticas tanto da comunidade acadêmica da Uneb quanto dos moradores do bairro. Para avançar nas discussões, a audiência pública criou uma comissão que convidará os secretários estaduais da Justiça, Segurança Pública e Educação para debater a instalação da UPP na universidade. A comissão é composta por representantes dos moradores da Engomadeira, professores e estudantes da Uneb.
 
 
Sintest faz paralisação nesta terça-feira (17)
 
Nesta terça-feira, 17 de dezembro, a categoria dos técnico-administrativos faz paralisação na Uneb. Segundo o sindicato dos técnicos (Sintest), o protesto será com portões fechados.
 
A ADUNEB respeita a paralisação. Informa ainda que não participará das atividades de mobilização devido à pauta não ter sido discutida em Assembleia Geral Docente. A diretoria da ADUNEB solicita que os professores respeitem a reivindicação do Sintest.


Recesso ADUNEB - final de ano
 
Em função das festividades de final de ano, comunicamos que a sede da ADUNEB estará em recesso de 23 de dezembro a 03 de janeiro de 2014, retomando suas atividades normais após a citada data.