ADUNEB-Mail 2018 – Edição 762 (28/08/18)

 Nova Coordenação Executiva e Conselho Fiscal da ADUNEB iniciam mandato


 Coordenadoras da ADUNEB na mesa que deu posse ao mandato

 Um momento histórico para o Movimento Docente da Uneb, repleto de força, de renovação, e de resistência, sobretudo, feminina para lutar em defesa da categoria docente, contra os ataques à democracia e os retrocessos do conservadorismo. Assim, sete professoras, ativistas, militantes feministas e de diferentes regiões do estado, tomaram posse da Coordenação Executiva da ADUNEB, biênio 2018 / 2020. Na ocasião também foi empossado o novo Conselho Fiscal do sindicato. A atividade aconteceu na sexta-feira (24) pela manhã, na sede da entidade, no Campus I da universidade, em Salvador. 

Para prestigiar a assembleia de posse das novas coordenadoras da ADUNEB, o auditório do sindicato ficou repleto de docentes e de representantes de diversas organizações de esquerda, de movimentos sociais e sindicais. Estiveram presentes, entre outras representações, o Fórum dos Técnicos Administrativos das Universidades Estaduais da Bahia, o DCE Uneb, o Comitê Uneb pela Democracia, a Regional Nordeste III do ANDES-SN, a Executiva Nacional do Fórum Renova ANDES, a coordenação da Frente Brasil Popular – Bahia, a APUB Sindicato e a vereadora de Salvador, Marta Rodrigues (PT).
 
Para a nova coordenadora geral da ADUNEB, Ronalda Barreto, o momento é de união de forças para a superação dos desafios. A docente cita a necessidade de mobilizar a categoria como a primeira das tarefas. “Nós precisamos nos fortalecer internamente para termos condições de defender nossos direitos”, afirmou. Aumentar a capacidade de diálogo com todas as instâncias em que os interesses da categoria estejam relacionados será mais um dos objetivos iniciais da nova coordenação. “A política é feita de diálogo. Para defender nossos direitos temos que ter escuta e dialogar com todos, seja o governo do estado, a administração central da Uneb ou os departamentos da universidade”, ressaltou Ronalda. Ainda de acordo com a professora, outros pontos centrais serão a defesa da democracia e dos direitos trabalhistas da categoria, não apenas da Uneb, mas de todas as universidades estaduais da Bahia.
 
 
 Nova Coordenação: Ronalda Barreto, Sérgio Guerra (Conselho Fiscal), Flávia Araújo (suplente), Maria de Oliveira,
Marluce Santana, Márcia Virgínia, Joilson da Silva (suplente), Elilia Rodrigues, Lilian Marinho e Ana Margarete da Silva
 

Militante histórico do Movimento Docente da Uneb, há mais de 30 anos o professor Sérgio Guerra atua em defesa da universidade e da educação pública. Nesta sexta-feira (24) ele também tomou posse como um dos membros do Conselho Fiscal da ADUNEB. O docente falou sobre o momento de renovação do sindicato. “Tivemos um período muito longo de chapa única. Isso não contribui muito para o processo político, porque não se debatem as ideias e não se discutem as posições. Vivemos uma conjuntura difícil, mas extremamente desafiadora para nossa atividade. Precisamos construir um Movimento Docente participativo e fazer uma campanha de filiação e refiliação. É muita luta, porque a frente que se formou contra os trabalhadores é muito grande. Vamos ter que quebrar com isso”, afirmou confiante o professor Guerra.
 
A unidade na luta pelas pautas que os unificam esteve presente da fala de Firmino Júlio, o coordenador geral do Fórum dos Técnicos Administrativo das Universidades Estaduais da Bahia. “Os direitos civis a cada dia estão sendo desmontados por atitudes antidemocráticas. Isso remete a uma destruição de todos os cenários construídos desde os anos 80 até hoje, com muita luta e esforço dos trabalhadores em suas categorias. É com o intuito da união que o Fórum dos Técnicos traz para a nova gestão da ADUNEB nossa mão estendida e ombro amigo, no sentido de que podemos enfrentar juntos a defesa e o fortalecimento das nossas entidades sindicais”, comentou Júlio, que também é coordenador do Sintest Uneb. 
 
Se a conjuntura reacionária exige a somatória de forças para enfrentar o retrocesso, a coordenadora do DCE da Uneb, Cajuh Almeida, marcou presença na posse para ressaltar a disposição do Movimento Estudantil em construir a unidade na Uneb. “Estou feliz por chegar aqui e encontrar uma renovação. “Queria deixar o DCE de braços abertos para conseguirmos construir cada vez mais. Os pilares da universidade são DCE, Sintest e ADUNEB. É importante que consigamos caminhar juntos nesse próximo período. Sabemos das dificuldades que a universidade está enfrentando, não só a nossa universidade, mas o Brasil como um todo. Colocamos o DCE à disposição para dialogar e contribuir”, finalizou a estudante.   

 
Assembleia de posse no auditório da ADUNEB
 
A jornalista e articuladora do coletivo 8 de Março, Ivana Sena, compareceu entusiasmada à cerimônia. “Estou aqui por que valorizo a conquista dessa coordenação feminina e feminista. A Uneb que é conhecida como uma universidade pioneira em diversas questões (referência feita às políticas afirmativas da Uneb), agora terá um sindicato que para esse momento político de retrocessos é muito importante”, comentou. 
 
A união para lutar contra o inimigo comum, o governo Temer, foi reforçada na fala do diretor da Regional Nordeste III do ANDES-SN, Benedito Libório. “Em apenas 1,5 anos houve um retrocesso que nos coloca no séc. XIX. Temos muita coisa a reverter. O primeiro passo a ser dado é um estender a mão ao outro e tocarmos a luta juntos, porque estamos na mesma trincheira. O papel do ANDES-SN é unir toda a base”, destacou o diretor.
 
Também preocupada com a conjuntura nacional, a representante do Fórum Renova ANDES, Celi Taffarel, afirmou que um dos caminhos de resistência é a renovação do Movimento Sindical. “O país está sendo atacado na sua democracia, no estado de direito. Portanto, é um momento em que todas e todos são bem vindos, quando se dispõem a lutar. Queremos condições dignas de trabalho, bons salários, nossas progressões funcionais”.
 
 
Coordenação e parte do amplo grupo de apoio
 
Para o coordenador da Frente Brasil Popular – Bahia, Walter Takemoto, o golpe em vigência no Brasil tem como um de seus objetivos desorganizar a classe trabalhadora e reduzir a capacidade de luta das/os trabalhadoras/es. “É nesse momento que a coordenação eleita da ADUNEB vem com a proposta de construir a organização docente a partir dos locais de trabalho, assim, aumentando a capacidade da categoria de influenciar, seja nos rumos do seu sindicato, seja na definição dos caminhos e dos instrumentos a se utilizar para enfrentar qualquer medida restritiva do governo”. 

Por 17 anos ela foi professora da Uneb. Hoje, como docente da Ufba e presidenta da Apub Sindicato, Luciene Fernandes também prestigiou a posse. “Fiz questão de vir porque acho que é uma força política bastante importante, nesse momento em que avança uma onda conservadora. Essa eleição mostra o poder das mulheres, a capacidade que temos de estar em luta”, disse a docente do curso de Fonoaudiologia. 
 
No período da noite, também no Campus I da Uneb, aconteceu uma confraternização. Durante o evento foi realizado o 5º Sarau da Democracia, um espaço descontraído, plural e acolhedor, em que docentes, técnicas/os, estudantes e também convidadas/os de fora da comunidade acadêmica, livremente, recitaram poesias e mostraram seus talentos artísticos e musicais. Acompanhados por deliciosa comida baiana, as/os presentes puderam trocar experiências, renovar energias e abrir os caminhos para o novo momento de luta da ADUNEB. 
 
 
Confraternização no período da noite
 
Veja aqui mais fotos da solenidade de posse e confraternização da Coordenação Executiva e Conselho Fiscal da ADUNEB.


Assembleia Docente desta sexta-feira (31) terá transmissão por videoconferência

A Assembleia Geral da ADUNEB que será realizada na próxima sexta-feira (31), com segunda chamada às 14h30, será transmitida por videoconferência a todos os departamentos da universidade. A atividade acontecerá no auditório da sede do sindicato, no Campus da Uneb de Salvador.

As professoras e os professores dos campi do interior interessadas/os em acompanhar pela videoconferência, devem solicitar em seus devidos departamentos a liberação do sinal, nas salas apropriadas à atividade. 


Mobilização da Uneb faz governo recuar e pagar os salários cortados de docentes e técnicos

 Após a forte indignação e revolta dos professores e técnicos da Uneb, que contaram com o apoio da reitoria, nesta quinta-feira (23), o governador Rui Costa foi obrigado a recuar e informar que efetuará o pagamento dos seis dias de salários cortados dos docentes da universidade. A ação truculenta do governo do estado veio em represaria à paralisação, de 06 a 11 de agosto, realizada pela categoria docente, deliberada em assembleia geral, contra vários problemas na Uneb, entre eles a ameaça de corte das passagens docentes (leia mais). Em nova assembleia, realizada também nesta quinta-feira, professoras e professores fizeram várias deliberações em defesa da categoria e da universidade. Os servidores técnicos também receberão pelo dia anteriormente cortado, devido à paralisação da quinta-feira (16). Representantes do Sintest estiveram presentes na assembleia da ADUNEB.

Inúmeras falas realizadas na assembleia desta quinta-feira (23) fizeram veementes críticas ao governador Rui Costa. De acordo com a coordenação da ADUNEB, nem no período carlista os docentes tiveram seus salários cortados por paralisações. O fato só havia ocorrido em alguns períodos de greve. O Movimento Docente analisa a ação do governo como uma tentativa de intimidação e de criminalização dos professores. O ataque do Palácio de Ondina aos mais de 2 mil docentes da Uneb teve como resposta a união da categoria e inúmeras notas de repúdio, a exemplo das publicações feitas pelo ANDES-SN (leia mais), pelo Fórum das ADs (leia mais) e pela Frente Baiana Escola Sem Mordaça. 
 
Durante as discussões os docentes analisaram de maneira positiva a rapidez com que o reitor foi em busca de soluções ao problema. Várias intervenções dos professores afirmaram que gostariam de ver a mesma disposição do gestor para solucionar graves questões da Uneb, a exemplo das filas travadas de promoções, alterações de regime de trabalho, reajuste linear e passagens docentes.
 
Pagamento
 
De acordo com a reitoria da Uneb, a recomposição salarial será realizada por meio de folha complementar, que virá junto com o pagamento habitual, em 31 de agosto. Em contrapartida a reitoria apresentará à Secretaria de Administração (Saeb) um plano de compensação de carga horária. A ADUNEB ressalta que após as paralisações, tradicionalmente, por responsabilidade com a Uneb e com a formação dos estudantes, todas as atividades acadêmicas sempre são repostas.  
 
Deliberações
 
Apesar das notas da reitoria da Uneb que informaram o retorno do pagamento, por não confiar no governo da Bahia, uma das deliberações da categoria docente, neste dia 23, foi agendar nova assembleia para 31 de agosto, justamente o dia do pagamento. Caso o governo descumpra o acordado, em pauta estarão o corte dos salários e a discussão sobre uma possível greve. A intenção é que a atividade seja realizada em conjunto com os servidores técnico-administrativos da universidade. 
 
Veja abaixo os outros encaminhamentos da assembleia com o objetivo de defender a categoria docente e a Uneb.
 
- Elaboração de uma nota de repúdio da assembleia contra o corte salarial e demais ações arbitrárias do governador Rui Costa à Uneb.
 
- ADUNEB criará uma campanha em defesa da Uneb. A intenção será demonstrar à sociedade o importante papel social da universidade. A ação será realizada conjuntamente com mobilizações nos campi.
 
- A coordenação do sindicato solicitará uma audiência pública, na Assembleia Legislativa, para debater o papel social da Uneb. Serão feitos esforços para que a atividade seja desenvolvida junto com o Sintest. 
 
- ADUNEB e Sintest avaliarão a possibilidade de uma campanha conjunta que denunciará a falta de comprometimento do governo Rui Costa com as universidades estaduais da Bahia
 
- Dar continuidade ao levantamento de dados para avaliar as condições de trabalho das professoras e dos professores nos departamentos de todos os campi da Uneb.
 
- Cobrar do reitor, José Bites, o agendamento da reunião entre ADUNEB, reitoria e Procuradoria Geral de Estado, que terá como pauta a solução para o problema das passagens docentes. O intuito será requisitar da PGE a resposta sobre a sugestão de minuta que prevê a alteração do Decreto de Lei 6.192/97. A norma limita a compra de passagens, por parte da reitoria, a apenas 72 km do local de moradia do docente.
 
- Convocar o reitor para uma a reunião pública, tendo como pauta a divulgação do orçamento da Uneb e seu contingenciamento por parte do estado.