Crise na Uneb - Alunos do Campus de Euclides da Cunha paralisam e ocupam o departamento
As manifestações acontecerão por tempo indeterminado ou até a presença do reitor à unidade
Indignada com a crise orçamentária, a péssima infraestrutura proporcionada pela Uneb e a falta de respostas do reitor José Bites, a comunidade acadêmica tem intensificado protestos e paralisações contra o governo do estado e seus representantes. De acordo com informações divulgadas, nesta quinta-feira (29) pelo Movimento Estudantil local, desde a última segunda-feira (26), os alunos dos cursos de Agronomia e Letras do campus XXII paralisaram as atividades e ocuparam o departamento. As manifestações acontecerão por tempo indeterminado ou até a presença do reitor à unidade. A intenção é pressionar a administração central por melhorias aos inúmeros problemas do Campus de Euclides da Cunha.
Ainda segundo a nota divulgada à imprensa, a paralisação e a ocupação são justificadas “Diante das dificuldades que o departamento vem passando, como a falta de funcionários efetivos (técnicos e professores), cortes no orçamento das universidades estaduais, deterioramento da estrutura física, déficit de número de vagas na residência estudantil e não cumprimento de compromissos firmados anteriormente pelo reitor José Bites de Carvalho”.
Foto: Divulgação / Movimento Estudantil
Foto: Divulgação / Movimento Estudantil

Estudantes mobilizados contra o descaso do reitor José Bites
Implantado em 2013, o Curso de Engenharia tem problemas estruturais e nas atividades práticas, o que inviabiliza as atividades acadêmicas. Aluna de Engenharia Agronômica, Izis Mello, destaca o motivo da mobilização. “O objetivo da paralisação é reivindicar dentre todas as demandas do curso, o que ainda não foi cumprido, desde a paralisação feita em 2014. O que nós discentes procuramos é qualidade de ensino para que os profissionais que irão sair da Universidade contemplem todos os requisitos necessários para excelência”, afirma Izis.
O estudante do Curso de Letras, Elias Neto, mostra indignação quanto ao descaso do reitor com o campus XXII. “O nosso departamento há anos está sofrendo com o descaso por parte da nossa representação maior que é a reitoria. Muitas demandas foram prometidas e até o momento não houve cumprimento”, denuncia o aluno.
Foto: Divulgação / Movimento Estudantil
Foto: Divulgação / Movimento Estudantil

Ocupação na Uneb - Alunos na luta por melhorias na universidade
Somente após a pressão e a ampla denúncia feita à imprensa, o reitor manifestou que pretende ir ao encontro dos estudantes. Mas, fará isso apenas na próxima sexta-feira (07), mais uma evidência da falta de comprometimento de José Bites com os problemas que afetam a comunidade acadêmica. Segundo informações do comando de mobilização estudantil, o reitor informou ainda que só irá porque aproveitará uma viagem à cidade de Coité e, no final da tarde, passará por Euclides da Cunha.
Pior ainda fez o governador Rui Costa. Em visita ao município, nesta quinta-feira (29), sob pressão dos manifestantes, que lutam por melhorias à educação pública, apenas recebeu a carta de reivindicações dos jovens. O político afirmou que conversará com os mesmos quando retornar para a inauguração da Policlínica, sem data certa, no mês de outubro.
Foto: Divulgação / Movimento Estudantil
Foto: Divulgação / Movimento Estudantil

Almoço na mesa de reuniões do departamento
A ADUNEB saúda e se solidariza com os estudantes da Uneb de Euclides da Cunha. A mobilização, a força e a união de todas/os é o caminho às conquistas. Só a luta muda a vida!
Mais protestos
Para a diretoria da ADUNEB, o crescimento do número de protesto e paralisações comprovam a falta de competência da administração central em gerenciar as demandas e problemas da Uneb. Desde o início da atual gestão do reitor Bites, a ADUNEB cobra uma postura mais incisiva da reitoria diante dos problemas latentes da universidade. É preciso que o reitor demonstre eficácia em suas ações e atue em defesa dos interesses da comunidade acadêmica. A postura da administração central tem levado a universidade ao aprofundamento da crise e a uma possível greve sem precedentes. De acordo com informações que chegam ao sindicato, existe a possibilidade de que mais campi realizem fortes protestos e paralisações nas próximas semanas.
Medicina
No último dia 22, mesmo dia em que os professores das Universidades Estaduais Baianas fizeram paralisações e mobilizações contra os governos federal e estadual (leia mais), mais de 100 estudantes do curso de Medicina da Uneb fizeram protesto em frente à Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb). As reivindicações foram por falta de campos de prática e laboratórios, déficit de professores e ausência de um vínculo efetivo com hospitais para internato médico.
Foto: Mauro Nassor / Correio

Estudantes de Medicina no Centro Administrativo da Bahia
Juazeiro
No início do mês de setembro a comunidade acadêmica do Campus de Juazeiro fez protestos com paralisação, ato público e passeata na segunda-feira (05). As atividades acadêmicas já estavam paralisadas desde o dia 02 e foram deliberadas em assembleia universitária, composta por professores, estudantes e servidores técnicos do campus III. Os representantes do Departamento de Ciências Humanas e do Departamento de Tecnologias e Ciências Sociais apontaram como principais problemas a falta de orçamento e a precarização imposta pelo governo Rui Costa (leia mais).

Comunidade acadêmica durante manifestação
Paralisação DCV - I
Entre os meses de janeiro e março deste ano os professores e estudantes dos seis cursos da área da saúde da Uneb, Campus de Salvador, fizeram paralisações e uma intensa agenda de mobilizações, que tinham como bandeira de luta o retorno dos adicionais de insalubridade cortados dos docentes e técnicos, além da melhoria na infraestrutura dos cursos que, entre outros pontos, necessitam de laboratórios, clínicas escola, contratação de professores, equipamentos e materiais didáticos (leia mais).

Aula pública realizada na reitoria durante a paralisação do DCV-I
Campus de Irecê discute orçamento, passagem docente e pauta interna
Debate aconteceu durante o ADUNEB na Estrada, na terça-feira (27). Comunidade também discutiu o projeto Escola sem Mordaça
A comunidade acadêmica do Campus de Irecê, na última terça-feira (27), participou de reunião do projeto ADUNEB na Estrada. Entre vários assuntos sobre a pauta interna da universidade, professores, servidores técnicos e estudantes discutiram o deficitário orçamento da Uneb, passagens docentes, direitos trabalhistas e a eleição para representantes do sindicato nos departamentos. A ADUNEB foi representada pelos diretores Caroline Lima e Vamberto Ferreira.
Durante o debate os professores do sindicato puderam tirar várias dúvidas dos presentes. Uma das principais preocupações do Campus XVI era sobre o custo da aquisição das passagens docentes, aos professores que necessitam de transporte intermunicipal para ir ao trabalho. Os diretores da ADUNEB demonstraram que o investimento em passagens, segundo análise de dados feito por professores do MD, em 2016, corresponde a apenas 14,69% da verba total destinada aos departamentos da universidade. De acordo com esse mesmo levantamento, as passagens correspondem a apenas 0,48% do orçamento da Uneb. Além disso, deram os informes sobre a luta do Movimento Docente (MD) pela permanência do citado auxílio, como as ações feitas junto à reitoria, Secretaria da Educação e Tribunal de Contas do Estado (leia mais).
Para que esses e outros cálculos tenham maior transparência e sejam de amplo conhecimento da comunidade acadêmica, a diretoria da ADUNEB defende a implementação do orçamento participativo na universidade. Em 05 de agosto, durante o seminário “Financiamento da Educação Superior na Bahia: Orçamento, Participação e Transparência”, ocorrido no campus I, o sindicato pôde expor seu posicionamento (leia mais). A atividade deu início às discussões sobre a implantação do orçamento participativo da Uneb, mais uma das reivindicações do Movimento Docente.
Sobre a luta pela garantia dos direitos trabalhistas, os professores fizeram o repasse da última reunião com o governo e a falta de comprometimento dos representantes de Rui Costa (leia mais). Para a diretoria da ADUNEB será necessário aumentar a mobilização e a força das reivindicações para que sejam conquistadas promoções, progressões, alterações de regime de trabalho e os demais itens da pauta docente 2016. Nesse contexto, a eleição dos diretores departamentais da ADUNEB, nos 29 departamentos da universidade ganha uma importância ainda maior. O processo de escolha dos representantes docentes irá até o dia 08 de outubro. Leia aqui o edital.
Escola sem Mordaça
No mesmo dia do ADUNEB na Estrada, a comunidade acadêmica do Campus de Irecê ainda teve a oportunidade de participar do debate sobre o Movimento Escola sem Mordaça. A atividade contou com a participação das professoras Caroline Lima (ADUNEB) e Luzia Azevedo (IFBA). Com o auditório lotado, as docentes puderam repercutir e expor a necessidade de combater o movimento que busca punir professores e instituições de ensino, que oferecem aos seus alunos uma formação crítica em relação a questões político-sociais. Leia mais sobre o assunto.

Comunidade acadêmica de Irecê durante o debate sobre a Lei da Mordaça
GT do ANDES-SN contra opressões discute conjuntura e prepara o plano de ação 2016-2018
O último encontro do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) foi marcado por rica discussão e muita elaboração política. A reunião aconteceu nos dias 24 e 25 de setembro, na sede da Regional Nordeste III do ANDES-SN, em Salvador, e contou com a presença da ADUNEB e de representantes de várias seções sindicais de todo o país.
Entre os temas em debate estavam a importância de combater a Lei da Mordaça e a intolerância nos espaços formativos, na construção de uma escola crítica e diversa. Junto a isso, outras questões relacionadas às opressões também entraram em cena, a exemplo da necessidade de construir uma Comissão da Verdade da Escravidão no Brasil. O objetivo será debruçar-se sobre a questão étnico-racial pós-abolição e a dívida histórica que o estado brasileiro tem com o povo negro.
A causa das mulheres também foi assunto para reflexões. A discussão ocorreu trazendo o recorte racial a partir das questões das mulheres negras. A atividade apontou a necessidade de se construir espaços no ANDES-SN sobre esse tema. Junto a isso, foram elaborados novos planos de luta para o final de 2016 e os dois próximos anos. Entre eles estão as formulações de propostas para o próximo Congresso do Sindicato Nacional, que passem por construir mais espaços formativos no ANDES-SN sobre opressões; que façam lançamentos da Cartilha Contra Opressões nas seções sindicais de todo país, entre outras iniciativas (leia aqui a cartilha).
Para a diretoria da ADUNEB, a luta contra as opressões precisa continuar a ser fortalecida nas fileiras das seções sindicais, sobretudo, frente ao atual cenário da ofensiva conservadora e reacionária que o Brasil atravessa. A maioria dos projetos de lei que retiram os direitos atingem principalmente as minorias. Construir políticas e inciativas que mobilizem esses setores minoritários, que são parte da classe trabalhadora, é uma tarefa necessária.
Foto: Nildon Araújo
Foto: Nildon Araújo

GT durante os trabalhos em Salvador
REFORMA DO ENSINO MÉDIO: MAIS UM DURO GOLPE DO (DES)GOVERNO TEMER ÀS/AOS TRABALHADORAS/ES
Itabuna (Ba), 24 de setembro de 2016
A Medida Provisória – MP nº 746 (22/09/2016), que prevê a reforma do Ensino Médio, modificando sua estrutura curricular a partir da alteração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), é parte do conjunto de ataques intensificados pelo ilegítimo governo Temer aos direitos da população. Longe de ser uma ação isolada, tal medida expressa o esforço orquestrado por setores do empresariado em projetar a educação para atender às demandas do mercado, claramente valorizando o ensino técnico e profissionalizante ligados a entidades privatistas da indústria, comércio e do setor financeiro, tais como ONG e OS, e vinculados ao sistema S (Senai, Sesc, Sesi).
A proposição dessa MP veio concomitante com um ato comemorativo de 10 anos do Movimento Todos Pela Educação, que contou com a presença do Ministro da Educação e diversos parlamentares. O ato aconteceu no Congresso Nacional e foi organizado por entidades ligadas ao empresariado que tiveram destacado papel na construção do PNE, principalmente no que se refere à destinação de recursos públicos à esfera privada.
Propor mudanças na Educação por meio de Medidas Provisórias, sem dialogar com as entidades que representam educadoras/es e estudantes, é uma prática autoritária e, como tal, deve ser combatida. Desde que foi anunciada, a MP 746/2016 vem sendo duramente criticada por setores do campo educacional. Na verdade, com a tentativa de tirar o caráter obrigatório das disciplinas Filosofia, Sociologia, Educação Física e Artes, ficou explícito que o projeto do MEC é restringir as possibilidades de uma formação crítica. Por isso precisamos denunciar todas as falácias dessa reforma, até que consigamos barrar a sua aprovação.
Essa reforma está ainda articulada com os diversos projetos em tramitação apresentados durante os últimos governos, e que são alvos de duras críticas feitas pelos movimentos sociais, entidades ligadas à educação e pesquisadoras/es, tal como: Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Exame Nacional do Magistério da Educação Básica (ENAMEB), Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), Projeto Escola Sem Partido.
Apoiando-se no IDEB, cujos índices estão estagnados desde 2011, bem como na argumentação de que a carga horária das disciplinas é extensa e pouco produtiva, o MEC impõe, através da MP 746/2016, um conjunto de ações que reforçam o projeto de educação para o capital, restringindo as condições básicas dos serviços públicos. Caso essa desastrosa Reforma do Ensino Médio seja levada adiante, teremos sérios impactos na educação pública nos próximos anos. O que se avizinha é a limitação às/aos filhas/os da classe trabalhadora as possibilidades de uma formação reflexiva, crítica e questionadora, que vise a mudança estrutural do sistema.
O enquadramento das disciplinas em grandes áreas do conhecimento (Linguagens, Matemáticas, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Formação Técnica), no qual é facultado à futura BNCC o que será ofertado, permite a diluição e precarização dos conteúdos. E isso influencia negativamente o processo formativo da categoria docente. Inúmeros cursos de licenciaturas passaram recentemente por alteração curricular, sendo que essas novas mudanças podem representar formulações que impliquem no fechamento de cursos específicos.
Outro ponto importante é a diminuição do quadro efetivo de trabalhadoras/es docentes nas áreas específicas, e a possibilidade de contratação de profissionais “com notório saber”, sem a exigência de formação adequada para atuar na educação. Ao mesmo tempo, saídas como formação aligeirada para o trabalho docente e rebaixamento da sólida formação teórica dos professores, podem fortalecer iniciativas empresariais, como a que se encontra em curso no país, tais como o Ensina Brasil. Financiadas pela Fundação Lemman e Itaú Social a proposta promete a formação em cinco semanas de profissionais de qualquer curso de graduação para atuar nas escolas.
O Comitê Estadual em Defesa da Educação Pública, reunido no dia 24 de setembro de 2016, na cidade de Itabuna, deliberou pelo necessário repúdio e combate a essa reforma que é considerada um dos maiores retrocessos a educação nos últimos 40 anos. Não aceitaremos tal medida que ataca não somente o setor educacional, mas ignora todas as reivindicações e discussões feitas por aquelas/es que se colocam em defesa de um projeto de educação pública, gratuita, laica, classista e socialmente referenciada.
COMITÊ ESTADUAL EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA - BAHIA
