Greve – Avançam as negociações. Após pressão, governo confirma suplementação orçamentária para alteração do quadro de vagas
Em reunião realizada nesta quarta-feira (10) o governo do estado, confirmou aos professores a suplementação orçamentária para a alteração do quadro de vagas. A resposta dos representantes de Rui Costa veio após se sentirem pressionados pela forte mobilização organizada pelo Movimento Docente (MD), com o apoio dos estudantes, realizada na região do Iguatemi também neste dia 10.
Na reunião, após um impasse inicial, o governo sinalizou com a possibilidade de aceitar a proposta do Fórum das ADs da alteração do quadro de vagas. Segundo os professores, o princípio da alteração do quadro de vagas seria um caminho viável, com grande probabilidade de solucionar o problema do quadro de vagas em sua totalidade para este ano e 2016. Assim, além de solucionar a questão das promoções e progressões, a proposta estaria atrelada ao compromisso dos reitores em garantir as alterações de regime de trabalho.
Para que a mesa de negociação continue a avançar, o MD ressalta que quer a garantia do estado de que a proposta de alteração do quadro de vagas garanta a implementação de todos os processos e o fluxo em andamento.
Para a próxima reunião com o governo, que será realizada na terça-feira (16), os docentes tencionaram e reivindicaram a participação do Fórum dos Reitores. A solicitação é consequência da última reunião, em 03.06, em que o chefe de gabinete da Secretaria da Educação, Wilton Cunha, acusou que a questão do déficit orçamentário das universidades estaduais estaria relacionada à má administração das reitorias. Nessa reunião do dia 16 também será discutida a proposta de minuta, do Fórum das ADs, para a norma que substituirá a Lei 7176/97.
Foto: Ascom Adusb
Foto: Ascom Adusb

Mesa de negociação discute alteração do quadro de vagas
Após ocupação da reitoria, administrador central, José Bites, reconhece legitimidade e força do Movimento Grevista
Inconformados com o descaso com que o reitor, José Bites, tem tratado as questões relativas à greve na Uneb (leia mais), nesta terça-feira (10), cerca de cem professores e estudantes ocuparam o prédio da reitoria. Com o protesto e constatando a força do Movimento Paredista, Bites afirmou a todos os manifestantes presentes no ato que respeita a comunidade acadêmica e reconhece a greve em andamento.
A ocupação que irá durar 24 horas começou com uma concentração em frente à biblioteca do campus I, seguida de uma passeata pelas ruas da universidade. Após o prédio ter sido ocupado, nitidamente constrangidos, o reitor, a vice-reitora, Carla Liane, e parte da equipe de pró-reitores, ouviram as críticas dos movimentos Docente e Estudantil relativas ao comportamento da administração central perante a greve.
Representantes do Comando de Greve da ADUNEB reforçaram que a luta é por maior orçamento à Uneb para ensino, pesquisa e extensão, portanto, algo que também deveria ser defendido pela reitoria. O Movimento Docente cobrou ainda sobre a necessidade de reforçar a carta de apoio, publicada no final do ano passado pelo Fórum dos Reitores, em que enfatizavam a necessidade do aumento orçamentário para 7% da Receita Líquida de Impostos.

Passeata pelo campus I antes da ocupação
Sobre a falta de um documento oficial da reitoria reconhecendo a greve, José Bites, tentou se defender. Informou que não haveria a necessidade, pois o Comando de Greve já havia sido reconhecido e legitimado pelo próprio governo do estado, visto que as negociações já estão em andamento.
Continuando a tentativa de defesa, Bites, ao responder sobre seu afastamento das questões relativas à greve, denunciou que o governo Rui Costa não chamou o Fórum dos Reitores à mesa de negociações com professores e estudantes.
Segundo o Comando de Greve da ADUNEB, a expectativa é que ao final desta quinta-feira (11), quando o movimento grevista desocupar a reitoria, Bites e seus representantes tragam consigo nova postura. Uma atitude política até então não vista, que defenda efetivamente os interesses e demandas da comunidade acadêmica da Uneb, e não apenas seu chefe: o governador do estado.
Após forte tensionamento dos manifestantes durante a ocupação, o reitor, que queria marcar uma reunião apenas para a sexta-feira (12), agendou a mesma já para essa quinta-feira (11), às 16h. Em pauta estará os problemas internos da Uneb.

Momento inicial da ocupação
Ato Público no Iguatemi mostrou o poder de mobilização do Movimento Grevista
Ato Público no Iguatemi mostrou o poder de mobilização do Movimento Grevista
Centenas de professores e estudantes mostraram indignação e denunciaram o descaso do governo Rui Costa com as estaduais da Bahia
Ao som de palavras de ordem como “Trânsito parado, Rui Costa, você é o culpado”, centenas de professores e estudantes das Universidades Estaduais da Bahia (Ueba) realizaram ato público na região do Iguatemi, em Salvador. Durante a atividade, que chamou a atenção da sociedade e imprensa, os manifestantes, munidos de faixas, cartazes e panfletos, reforçaram a denúncia sobre a crise orçamentária e a precarização das Ueba.
O ato foi realizado na semana em que a greve deflagrava pelo Movimento Docente de Uneb, Uefs, Uesb e Uesc completa um mês. Aprovado em assembleia geral, a radicalização começou em 13 de maio e se fortalece a cada semana. Pela ADUNEB, além do campus de Salvador, inúmeros campi participaram da mobilização, a exemplo de Alagoinhas, Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Caetité, Eunápolis, Itaberaba, Jacobina, Serrinha, Teixeira de Freitas, Valença, Guanambi, entre outros.

Reivindicação em frente ao Iguatemi - Rui Costa, a culpa é sua
Para o Comando de Greve da ADUNEB, graças à pressão e união da comunidade acadêmica, conquistas importantes estão sendo construídas, a exemplo das avançadas negociações sobre a revogação da Lei 7176/97; do comprometimento do governo em não realizar cortes no orçamento deste ano e repassar a totalidade das cotas; e da discussão sobre alteração do quadro de vagas docente, que, se concretizado, será garantido por suplementação orçamentária. Porém, a luta precisa continuar ainda mais forte. As discussões em andamento precisam ser efetivadas e outros pontos da pauta ainda necessitam ser negociados, como o aumento do repasse orçamentário para suprir as demandas das rubricas de custeio e investimento.
O ato
Iniciado na praça em frente ao Shopping da Bahia, antigo Iguatemi, as centenas de professores e estudantes das quatro Ueba iniciaram o ato com falas e palavras de ordem de protesto. Logo após, de maneira organizada, foi realizada uma panfletagem junto aos pedestres e aos motoristas parados nos semáforos da região. Depois, uma passeata ocupou inicialmente duas faixas da Avenida ACM e caminhou em manifestação até a Avenida Tancredo Neves. No local a comunidade acadêmica mostrou a força e indignação do movimento contra o governador Rui Costa. Toda a avenida foi trancada para a realização de um segundo ato público, com intervenção artística e a finalização da mobilização.

Força do protesto - Comunidade das Ueba trava Av. Tancredo Neves
A reivindicação da comunidade acadêmica das Ueba contou com o importante apoio e participação de professores e estudantes da Ufba. Assim como as Ueba, os lutadores da Federal da Bahia estão em greve por maior orçamento à universidade e contra os ataques da política educacional petista.

Centenas em passeata defendem a educação pública superior
