Grande ato público de protesto marcará um mês de greve das Ueba. Atividade acontece nesta quarta-feira (10), em frente ao Iguatemi
Centenas de integrantes da comunidade acadêmica, vindas de todo o estado, reivindicarão maior orçamento às universidades estaduais
Na semana em que a greve das/os professoras/es das Universidades Estaduais da Bahia (Ueba) completa um mês, as Associações Docentes (ADs) de Uneb, Uefs, Uesb e Uesc, organizam um grande ato público, que acontecerá nesta quarta-feira (10), em Salvador. A manifestação acorrerá a partir das 9h, em frente ao Shopping da Bahia, antigo Iguatemi.
Segundo as/os organizadoras/es, a expectativa é a presença de centenas de integrantes da comunidade acadêmica das quatro universidades estaduais. Assim como na última manifestação, realizada em 19.05, no Centro Administrativo da Bahia, em que estiveram presentes mais de 700 pessoas, vários ônibus e vans fretadas trarão do interior docentes, estudantes e técnica/o-administrativas/os. As/os interessadas/os devem procurar as/os representantes da ADUNEB nos respectivos campi ou entrar em contato pelo e-mail aduneb@atarde.com.br ou (71) 3257-9333 / 3257-5803.
A força da luta
Para o Comando de Greve da ADUNEB, contra o descaso e a falta de vontade política do governo do estado, a hora é de demonstrar ainda mais a força e união da comunidade acadêmica das Ueba. A intransigência do governador Rui Costa causa ainda mais indignação e o fortalecimento da greve. Após um mês de radicalização, o governo continua a se recusar a negociar o aumento do repasse do orçamento para, no mínimo, 7% da Receita Liquida de Impostos.
Ainda segundo as/os professoras/es da ADUNEB, os avanços conquistados até agora na mesa de negociação, frutos da forte pressão da comunidade acadêmica das Ueba, embora sejam vistos como importantes, não contemplam a maior parte da pauta de reivindicações. O Movimento Docente (MD) das Ueba reconhece o avanço que representa as discussões iniciadas para a revogação da Lei 7176/97, que interfere na autonomia de gestão das Ueba. Da mesma maneira, entende como positivo o debate em andamento sobre promoções, progressões e alteração de regime de trabalho; direitos trabalhistas das/os professoras/es, garantidos em lei, que vinham sendo negados pelo estado. Porém, para minimizar a grave crise, muito mais precisa ser feito.
Diante do atual cenário, o Comando de Greve da ADUNEB conclama todas/os a somar forças no ato público deste dia 10 de junho. A história das Ueba mostra que não existem conquistas sem luta. Todos os avanços conseguidos por docentes, estudantes e técnicas/os só aconteceram depois de muita reivindicação e demonstração de força. Venha defender o ensino público superior de qualidade e as Universidades Estaduais da Bahia, patrimônio público do povo baiano. Juntos somos fortes!

Todas/os no ato público, nesta quarta-feita (10), no Iguatemi
Em reunião governo insiste na proposta do remanejamento de vagas e não discute orçamento
Fórum das ADs reforça: proposta terá que incluir toda a demanda da categoria
Em reunião realizada nesta quarta-feira (03), na Secretaria da Educação, Fórum das ADs e governo da Bahia discutiram, principalmente, o déficit no quadro de vagas das/os professoras/es e o respeito aos direitos trabalhistas. Embora o Movimento Docente (MD) das Universidades Estaduais da Bahia (Ueba) insista em debater todos os itens da pauta, os representantes de Rui Costa continuam com descaso e negando a negociação do aumento do orçamento.
Nas discussões sobre o quadro de vagas o Superintendente de Recursos Humanos da SAEB, Adriano Tambone, novamente tentou trazer à mesa de negociações a proposta de suplementação orçamentária para o remanejamento de vagas. Mesmo reconhecendo que a sugestão está longe de contemplar as reivindicações da categoria, Tambone, de maneira abstrata e sem materializar a proposta, afirmou que o avanço das discussões poderia resolver “praticamente todos” os problemas relacionados a promoções e progressões existentes até o momento. Assim, como consequência, sobraria recurso financeiro nas universidades para que as alterações de regime de trabalho fossem implantadas pelas reitorias.
De maneira incisiva as/os professoras/es reforçaram as deliberações das assembleias: a categoria é única e ninguém ficará de fora. O MD é democrático e está aberto a discussões de propostas, mas, para que aconteça a possibilidade de aceitação terá que contemplar toda a categoria e não apenas uma parcela. Promoções, progressões e alterações de regime de trabalho precisam ser implantados a todos os processos que estão na fila. São conquistas do MD, direitos trabalhistas previstos no Estatuto do Magistério Superior. Para as/os docentes direitos não são negociados, e muito menos rifados.
A próxima reunião está marcada para o dia 10 de junho. Na ocasião, o representante da Saeb apresentará nova proposta relativa ao remanejamento de vagas.
Para governo gestores das Ueba são irresponsáveis
Em meio às discussões sobre a crise orçamentária o chefe de gabinete da Secretaria da Educação, Wilton Cunha, pela segunda vez desde que as negociações foram iniciadas, afirmou que a culpa pela crise orçamentária das Ueba pertence aos gestores das universidades. Segundo Cunha, falta planejamento para crescimento e distribuição de recursos. Ao denunciar a administração das Ueba, citou como exemplo a "irresponsabilidade" de abrir novos cursos no atual cenário econômico.
Revogação da Lei 7176/97
Em paralelo ao debate sobre direitos trabalhistas e aumento do orçamento, outro item da pauta, que até então avança nas negociações e é visto como uma excelente conquista do MD é a revogação da Lei 7176/97. A norma é um entulho autoritário do período Carlista, que interfere da autonomia de gestão das Ueba. O MD e suas assessorias jurídicas estudam detalhadamente a minuta de um Projeto de Lei, proposta pelo governo, para entrar em substituição da lei atual. A reunião específica sobre esse assunto entre professoras/es e governo acontece no dia 16 de junho.
A greve continua!

MD quer garantia dos direitos trabalhistas e aumento do orçamento
Reitor José Bites blinda governo e se distancia da comunidade acadêmica
No último dia 2 de junho o Comando de Greve (CG) da ADUNEB participou de uma entrevista, ao vivo, na rede de TV de maior audiência no estado, para falar sobre a greve das/os professoras/es da Uneb e das demais Universidades Estaduais da Bahia. Ao final da conversa, ainda durante a transmissão, o jornalista informou que a Reitoria da universidade havia sido convidada a participar da entrevista, mas preferiu não se pronunciar sobre a greve. Tal atitude da Administração Central, embora não seja surpresa para o conjunto das/os professoras/es, causou indignação na comunidade acadêmica.
Como tem sido amplamente divulgado pela ADUNEB e imprensa em geral, a greve das/os docentes e estudantes, com o apoio das/os técnicoa/-administrativas/os, tem como pauta central o aumento de recursos às estaduais da Bahia. A reivindicação é por mais orçamento para que seja garantida a qualidade de ensino, pesquisa e extensão na Uneb. Recursos esses que auxiliarão também a administração do reitor José Bites. Mas, mesmo diante dessa situação, desde o início da greve há quase um mês, Bites, além de não apoiar a comunidade acadêmica, que luta por melhor infraestrutura para a universidade que ele administra, ainda tem atitudes que tentam dificultar a ação do Comando de Greve.
Desde o dia 13 de maio, início do movimento paredista, o reitor não publicou nenhum documento reconhecendo a greve na Uneb, mesmo sabendo que a radicalização tenha sido deflagrada em assembleia geral docente, de maneira democrática e por ampla maioria de votos. Ação oposta a realizada recentemente pelo reitor da Ufba, João Salles, que já no dia seguinte à deflagração da greve naquela universidade, divulgou carta reconhecendo a legitimidade da ação das/os docentes.
Mesmo no âmbito das Ueba o reitor Bites destoa dos demais reitores ao mostrar sua submissão ao governador. Enquanto na Uneb o gestor tenta maquiar a realidade e não informa, nem ao menos do site da instituição, sobre a existência da greve, na Uesb, o Conselho Universitário, presidido pelo reitor Paulo Santos, em 25 de maio, deliberou, por unanimidade, uma moção de apoio à greve da categoria docente (leia aqui). Já o reitor da Uefs, Evandro Nascimento, na próxima terça-feira (09), às 9h, em ação conjunta com o Movimento Docente daquela instituição, fará uma Aula Pública para tratar da situação orçamentária da Uefs (leia aqui).
As atitudes de José Bites evidenciam que suas intenções buscam apenas blindar seu chefe, o governador do estado, se distanciando assim dos interesses, das necessidades e dificuldades da comunidade acadêmica da Uneb. Outra ação do reitor que tentou claramente prejudicar o trabalho do Comando de Greve foi a criação de um grupo que se auto intitulou “Comissão de Mediação Interna”. O objetivo da reitoria foi dificultar as decisões da Comissão de Ética do CG, mesmo ciente que a Comissão das/os professoras/es foi deliberada e legitimada na assembleia que deflagrou a greve. A atitude do reitor evidencia desrespeito com o movimento docente e com o conjunto das/os professoras/es da universidade.
As ações do reitor da Uneb contra a greve legítima, que busca defender a Universidade do Estado da Bahia enquanto patrimônio público, têm como consequência o aumento da indignação e da força de mobilização do movimento paredista. Em defesa da educação pública superior, contra os interesses espúrios do estado e de seus representantes, o MD não irá retroceder. A greve que já começou forte aumenta a cada semana.

Entrevista com prof. Milton Pinheiro. Reitoria se recusou a participar
Seminário sobre Ciência e Produção Cientifica na Uneb acontece nesta terça-feira (09). Atividade é promovida pela ADUNEB e será transmitida por videoconferência
Nesta terça-feira (09) será realizado no campus I o "Seminário sobre Ciência e Produção Cientifica na Uneb". A ação organizada pela ADUNEB é mais uma das atividades de mobilização do Comando de Greve das/os professoras/es. Os nomes já confirmados para a mesa de discussão são a professora Marluce Souza, do campus de Salvador, e o docente Osmar Moreira, da Uneb de Alagoinhas. Os dois professores atuam em programas de pós-graduação e poderão socializar conhecimentos e reflexões sobre o tema. O Seminário será transmitido por videoconferência, a partir da sala de reuniões da reitoria, com início às 9h, a todos os campi da universidade. Participe!
Curso de Formação - “Trabalho, Estado e sociedade de classes: uma reflexão a partir da teoria social
Nos dias 13 e 14 de junho acontece o evento “Trabalho, estado e sociedade de classes: uma reflexão a partir da teoria social marxista”. A atividade será realizada no campus I da Uneb. A organização conjunta é da ADUNEB, Cemarx Uneb, Regional Nordeste III - ANDES-SN e Fórum das ADs. A entrada é gratuita e as inscrições podem ser feitas aqui.
Programação:
13/06
9h às 12h - Lutas sociais e história das revoluções – Prof. Milton Pinheiro (Uneb/USP)
14h às 17h30 - Economia política e capitalismo contemporâneo – Profa. Sofia Manzano (UESB/ICP)
14/06
9h às 12h - Estado na teoria marxista – Prof. Antônio Carlos Mazzeo (USP)
14h às 17h30 - Partido e revolução – Prof. Mauro Iasi (UFRJ)
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