AS LUTAS DAS MULHERES NA CONSTRUÇÃO DE UM OUTRO MUNDO POSSÍVEL

 Cremos na utopia porque a realidade nos parece impossível

Extraído de uma pichação
 Autor(a) desconhecido(a)
 
No século XX, no ano de 1910, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, na Dinamarca, foi estabelecido que o 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às mulheres que morreram na fábrica em que trabalhavam, no ano de 1857. Esse fato histórico ocorreu na cidade New York, devido à ocupação da fábrica por um grupo de mulheres em greve, que reivindicavam melhores condições de trabalho, tais como: redução na jornada diária de 16 para 10 horas, equiparação salarial com os homens e melhoria nas relações interpessoais no ambiente de trabalho. Essa manifestação foi reprimida e as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato de barbárie do Estado burguês contra a classe trabalhadora. Em 1975, o 8 de março foi oficializado, pela ONU, como Dia Internacional da Mulher.
 


Os movimentos de mulheres mundo afora reivindicam essa data como marco simbólico das lutas das mulheres  contra o machismo,  pela igualdade de gênero e de condições efetivas de equidade. A ADUNEB reconhece a importância dessa luta histórica  e dos papéis desempenhados pelas mulheres no questionamento das relações de dominação próprias da sociedade capitalista.  Nesse sentido, considera a participação das mulheres nos espaços públicos indispensável na construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária.
 
No Brasil, a liderança de uma mulher no movimento sindical remonta aos anos 30 do século XX, com a assunção por Gysmunda Pezzi da presidência do Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul/RS. A partir de então, verifica-se uma crescente ocupação de lideranças femininas nos diversos espaços no movimento social, representando um aumento substantivo do gênero na atuação política.  Todavia,  essa significativa participação ainda não assegura a necessária representatividade política em defesa das bandeiras históricas das lutas construídas pelas mulheres ao longo da sua organização como movimento social.
 
Em vários setores produtivos a mão de obra feminina é predominante, entretanto, suas entidades de classe, raramente encampam reivindicações amplas e específicas nas suas pautas sindicais, tais como: igualdade de oportunidades e salários, proteção à maternidade e paternidade (construção e auxílio creche, licenças e outros benefícios), autonomia e direito sobre o corpo e o combate ao assédio moral e sexual. Essas são, entre outras, bandeiras urgentes que precisam ser atualizadas e levantadas por toda a sociedade, cabendo às entidades de classe a tarefa política de encaminhá-las.
 
A ainda pequena presença feminina em relação à masculina nas lideranças sindicais, deve-se, entre outros fatores, à inserção tardia das mulheres na política e na sua profissionalização para o trabalho, além da esfera doméstica. Diante disso, cabe ressaltar que as questões acima pontuadas ultrapassam e extrapolam os interesses específicos de um dado grupo representado pelo gênero, dado que vivemos em sociedade e as práticas relacionais uma vez exercidas em condições de igualdade, beneficiariam de igual modo a tod@s.
É importante destacar ainda que as bandeiras apresentadas pelos movimentos de mulheres, nos mais diferentes e variados espaços, ao longo da sua história, contribuíram e continuam contribuindo para forjar um projeto de sociedade em que seja possível viver, exercer e respeitar a diversidade como condições necessárias na construção de um outro mundo possível.
 
Reafirmando que os espaços de luta não estão isolados em si mesmos, a ADUNEB defende a urgência de ampliar e incorporar às lutas históricas, as demandas que já fervilham no debate atual da sociedade, questionando o sistema capitalista e fazendo o necessário enfrentamento dos problemas decorrentes do seu modo de operar, tais como, a degradação ambiental, as desigualdades sociais, a violência, a homofobia, a misoginia enfim, a intolerância e opressão de toda ordem, os quais confrontam radicalmente com o projeto de mundo almejado pela classe trabalhadora.
 
Neste dia de luta e reconhecimento do histórico e importante projeto do movimento de mulheres por um mundo sem descompassos, é papel do nosso sindicato fomentar debates e conclamar os/as seus/suas filiados/as a fortalecer essas lutas coletivas no cotidiano.
 
8 de março de 2013
Diretoria da ADUNEB